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iFood: o futuro do delivery e da inteligência artificial

08 Sep 2025 62 min Featuring: Diego Barreto Jump to transcript
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Episode Summary

Neste episódio, Diego Barreto, executivo do iFood, discute o crescimento e a evolução da plataforma, que se tornou o segundo maior gerador de renda do Brasil, transferindo mais de 5 bilhões de reais para entregadores. Ele aborda a expansão do iFood para além da comida, incluindo supermercados e farmácias, e a importância da conveniência e da logística eficiente. Além disso, Diego fala sobre o uso de inteligência artificial na operação do iFood e como a cultura da empresa é fundamental para seu sucesso.

Key Topics

Crescimento do iFood Inteligência Artificial Logística e Conveniência Cultura Empresarial Expansão de Serviços Delivery no Brasil Atendimento ao Cliente Inovação no Mercado

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Qual é o tamanho do iFood hoje? O iFood é o segundo maior gerador de renda do Brasil. A gente hoje transfere para os entregadores mais de 5 bilhões de reais.

Por que vocês decidiram ir para outras ocasiões, para supermercado, para farmácia e não ser só o iFood, mesmo chamando o iFood? Isso foi o dilema da nossa vida inteira.

O Turbo, cara, a gente entrega em até 20 minutos uma comida que vai ser feita.

O que você acha que vai acontecer, Diego, no mercado de delivery no Brasil? Hoje, 90% dos contatos que eu recebo é resolvido por um agente de I.A. que tem um NPS melhor do que o ser humano.

Desmarketize-se! Esse podcast é sobre o marketing que não parece marketing. E se você quer aprender mais sobre isso, vem passar um dia comigo no Desmarketing Day. É imperdível, assim como esse episódio que começa agora.

Olá, camaradas! Chegou uma encomenda para vocês, hein? Um episódio que acabou de sair do forno aqui, que você não perde por esperar o que a gente vai conversar hoje.

Tenho o prazerzaço de receber aqui nos estúdios da Clepme, uma das maiores autoridades sobre inteligência artificial do Brasil, um dos executivos que mais faz coisas que tocam vidas de milhões de pessoas no Brasil, porque ele trabalha num negócio que com certeza você conhece. Você que trabalha com comida, você que consome comida, certamente usa o iFood. É ou não é? Eu peço quase todo dia, então tenho o prazerzão de receber aqui comigo hoje o Diego Barreto.

E aí, Diego? Olá, João. Obrigado por me chamar. A gente já fala há muito tempo. Estava esperando o seu convite final aqui.

Demais! Estivemos juntos lá no iFood Mobile, o eventão de vocês. Como é que foi, hein? Foi lindo, maravilhoso, com 10 mil restaurantes, todo mundo conversando, trocando, se apoiando, maravilhoso.

Fala a verdade, você pede muito iFood ou não? Cara, eu sei quanto eu peço, porque a gente faz lá aqueles reviews do final do ano, lembra? É. Ano passado eu pedi 936 vezes no ano. Acho que é um pouquinho, né? Ganhou, ganhou. Essa daí não vai dar pra desputar.

E eu não tô no top 10, viu? É mesmo? Não tô no top 10. Tem gente que pede, mas isso aí, hein? O recorde é tipo 1600, 1700. Tem gente que come um pouquinho mais que eu.

Eu gosto de fazer uma pergunta pra todo mundo que vem aqui, sobre o seu negócio, que é assim. O que é que você acha que só o iFood tem? O que é que você diria que é o seu diferencial, aquilo que tá na essência, que fala, cara, o iFood é isso aqui, que ninguém mais é?

Cara, o que só a gente tem é um apego e uma paixão enorme pela nossa cultura. E essa cultura, ela vai permeando hoje 8 mil pessoas que trabalham lá, e vai fazendo em cada um dos pontos que cada uma das pessoas tocam, fazer acontecer do jeito que tem que acontecer pra gente. Então a minha cultura, ela é muito única. Eu não negocio ela.

E como é que você coloca gasolina nisso? Como é que você faz essa cultura ficar viva? Cara, acho que a primeira coisa é, a gente é extremamente chato pra trazer pessoas pro iFood. Assim, se eu te contar a quantidade de coisas que a gente faz, que não são comuns num processo, pra trazer uma pessoa... Não é muito. Tipo o quê?

Vou te dar um exemplo. Cara, a empresa tem 8 mil pessoas. A partir de gerente pra cima, qualquer pessoa que recebe uma oferta, eu falo com a pessoa, eu mando uma mensagem pra ela. Você? Eu mando uma mensagem pra ela. O que você vai encontrar aqui é A, B, C e D. Se você não tiver disposto, não venha, porque eu provavelmente vou te demitir. Eu não tô te falando isso pra te deixar com medo. Eu tô falando isso pra que você tenha muita segurança da decisão que você tá tomando. Não venha só porque você vai ganhar um pouco mais dinheiro. Não venha só porque você tá insatisfeito com a atual empresa. Porque se não for exatamente o que a gente tá imaginando, porque eu tô te contando como é, eu vou te demitir.

Então, cara, a gente é muito chato no processo de entrada. Pra garantir que entre a pessoa certa. Cara, eu tenho que aumentar a probabilidade. Óbvio que eu erro, mas eu tenho que aumentar essa probabilidade. Porque todas as vezes que eu erro na probabilidade, eu preciso criar um comitê, eu preciso criar uma reunião a mais, eu preciso isso, eu preciso aquilo, ter um ruído. Eu preciso diminuir isso. É a única forma de deixar a empresa solta, de deixar as pessoas na ponta fazendo as coisas.

A segunda coisa é a gente explica as coisas de uma forma muito específica. Então, você brinca assim, toda vez que alguém te trouxer um material, e você for capaz de tirar o logo de uma empresa e colocar a outra, e a pessoa que lê não vê a diferença, aquele material não serve pra nada. Não serve pra nada. Concorda? É igual tirar o seu rosto e colocar o meu, e a pessoa fala, ó, eu continuo vendo o mesmo comportamento.

Então, cara, eu vou te dar um exemplo. Como é que a gente define empreendedorismo lá dentro? Que é um valor nosso. Empreendedor é o cara que se fode 80% do tempo. Você não consegue tirar o logo do iFood e colocar de, cara, outras mil empresas que você conhece por aí, porque a empresa fala, ah, eu nem falo desse jeito. Eu explico lá igual Wikipedia. A maioria das pessoas vão dizer, é a minha explicação igual do Wikipedia.

Então, pra nós esses elementos, eles assustam, mas eles aproximam. Então, a pessoa que lê uma frase dessa, olha que interessante. O que quer dizer eu me ferro 80% do tempo? Quer dizer que a maioria das reuniões, você vai estar numa situação de desconforto. Por quê? Porque o empreendedor é o cara que só é grande. O empreendedor é o cara que tá transformando, que tá desafiando. Eu não me vejo como executivo, eu me vejo como empreendedor. Significa que 80% do tempo eu tô sob pressão. Pressão por construir um negócio grande. Pressão por reagir ao que acontece. Pressão por ser intolerante com questões que não batem com a minha cultura. Isso me coloca sob pressão. Isso é empreender. Empreender não é, ai, vem aqui, fazer, não sei o quê. Essa é a consequência de empreender. Isso não é empreender.

Então, é assim que a gente trata questões como de cultura. E isso vai me fazendo o único nesse tema.

Boa, gostei.

Qual é o tamanho do iFood hoje, Diego?

Eu sei que vocês estão lá numa fase comemorando, né? Recordes de pedidos e de faturamento, expandindo ocasiões de consumo. O que você pode falar que é o tamanho do iFood hoje?

Ô, João, grandes números, assim. Primeiro, o iFood é o segundo maior gerador de renda do Brasil. A gente, hoje, transfere para os entregadores mais de 5 bilhões de reais por ano. É uma empresa que vende por mês, já, bem mais que, esse é o meu último número público, mas já é bem mais de 120 milhões de pedidos por mês. Cara, isso aqui dá, tipo, tá chegando em 2 bilhões no ano já, quando a gente olha o número atual. Cara, são mais de 400 mil comerciantes, comerciante mesmo. Sabe, o tiozinho da lojinha, o tiozinho do pet shop, a tiazinha da tapioca. Mais de 400 mil comerciantes e são quase já 450 mil entregadores fazendo renda na plataforma. É um negócio espetacular, cara.

Ixi, é o iFood, mas vocês decidiram ir além do food, né? Uma bela discussão, hein? Vocês decidiram ir para outras ocasiões, para o supermercado, para a farmácia e não ser só o iFood. Mesmo chamando o iFood.

Cara, assim ó, pensa assim, o meu negócio, em última instância, é um negócio de conveniência. Independente do que eu entregue, no final, o que eu estou entregando é conveniência. Quando você entrega conveniência, você tem um desafio que é cada vez entregar num espaço de tempo menor. Obviamente eu não estou falando sobre correr no trânsito, estou falando sobre conseguir fazer o processo inteiro ser mais eficiente. E, ao mesmo tempo, eu preciso ter uma logística cada vez mais barata. Por quê?

Porque senão eu não consigo entregar de tudo. Se a logística custar 30 reais uma entrega, eu não vou pedir um sorvete. Você não vai pedir um sorvete, obviamente. Então, quando você pensa nesses dois elementos, o que significa conveniência? Então, significa que eu preciso estar muito perto de você. Essa é a melhor forma de diminuir tempo. Se eu estou perto, eu entrego em 1 minuto, se eu estou longe, eu entrego em 30 minutos. Quando eu falo em logística, eu estou falando de densidade. O custo logístico vai cair quando você conseguir fazer 30 entregas do mesmo lugar para o mesmo lugar. Ao invés de fazer uma entrega desse lugar para esse mesmo lugar.

Então, quando você pensa nesses dois elementos, quem que me entrega isso? A comida. A quantidade de restaurantes numa cidade é maior do que a quantidade de farmácia, é maior do que a quantidade de supermercado, maior do que a quantidade de pet shop e por aí vai. A quantidade de vezes que você come por mês é maior do que a quantidade de vezes que você vai ao supermercado, que você pede na farmácia, etc, etc. Então, quando você pensa nesses dois elementos, o restaurante é o único que entrega isso.

Então, tudo por muito tempo foi só restaurante porque eu precisava ficar muito bom nesse negócio. Construir essa base. Na hora que eu começo a olhar e falar, cara, meu serviço está bom, o cliente está feliz, o restaurante está vendendo, o gerador está gerando renda, as coisas aqui estão boas, estão em um outro patamar comparado com os demais pelo mundo. A minha comparação é sempre mundial e nunca é uma comparação local. Elas estão ótimas, então agora é hora de adicionar mais frequência, de adicionar mais proximidade, de adicionar mais tudo isso.

Então, quando eu falo, cara, eu estou trazendo a farmácia, o que eu estou fazendo? Eu estou adicionando mais duas, três, quatro entregas no mês para você. Portanto, o entregador agora está mais denso, ele está fazendo mais coisas ao mesmo tempo, está gerando mais renda. Ao mesmo tempo, a tua noção de proximidade vai aumentando. Ele fala, não, antes o cara me entregava a tapioca do tio Zé que perto, agora também a farmácia, agora também a ração do cachorro. Então, ir além da comida, na prática, é entregar essa lógica da conveniência, que é muito importante. Portanto, a proximidade e a densidade logística.

Mesmo chamando de iFood. Cara, esse foi o dilema da nossa vida inteira. Então, a gente falou, beleza, é iFood, é iFood, tá bom. Vai mudar o nome? Gente, na hora certa a gente discute isso, então a gente ficava postergando. Ia postergando, ia postergando, ia postergando. E aí chegou um dia que a gente falou, beleza, está na hora de encarar esse troço. E agora?

E é muito engraçado, porque para todo mundo de fora, é muito fácil chegar e falar, cria outra marca. Cara, criar outra marca? Vai mudar de nome, poxa. Puta que pariu. Eu brinco, eu brinco assim, se você tem um apelido e você mora numa cidade, aí você muda para ir fazer faculdade em outra. Sabe o negócio de chegar e as pessoas todas te chamam pelo nome e você fala, cara, não estou me reconhecendo aqui? Não sou eu, não sou eu. É a mesma sensação. Então, não é simplesmente mudar, as pessoas acham que é simplesmente mudar.

Então, o que a gente fez? A gente tomou uma decisão. A gente falou, cara, vamos fazer o seguinte, a gente tirou o nome de categoria e a gente entendeu que sim. A gente olhou muito, viu muito dado, trabalhou muito com as pessoas e falou, é, as pessoas hoje falam, ah, pedem iFood. Não necessariamente pedindo iFood, mas as pessoas cada vez mais vão fazendo isso. Então, eu falei, beleza. Então, meu nome já não é mais necessariamente comida.

A gente foi fazendo mais alguns trabalhos para entender isso e uma das coisas que a gente entendeu é que essa sensação de que food é comida não é para a maioria das pessoas, porque nem todo mundo fala inglês ou nem todo mundo raciocina quase que inconscientemente o inglês quando houve uma palavra em inglês. Para muitas pessoas, a palavra iFood é um símbolo. Ela tem um significado, mas não necessariamente uma tradução. E a gente ganhou essa confiança. Quando a gente foi expandir nas categorias, a gente falou, beleza. Então, agora é hora de falar sobre isso.

E aí, a gente tomou duas decisões. A primeira foi mudar o mote. Então, o mote virou, o iFood é tudo para mim. E aí, veio junto aquela música, você é tudo para mim. É algo assim, é mais do que eu sonhava. E aí, a gente encapsulou... Você deu o lado marqueteiro aí. Eu vou te falar que eu sou muito orgulhoso de ter pensado isso. Isso me deixou muito feliz. E digo com orgulho mesmo, não por me achar melhor que os outros, mas por não ter vindo do marketing originalmente. Então, o que significa isso? Significa que eu estou crescendo, estou me desenvolvendo como pessoa. Aceitando as influências e, de alguma forma, ajudando um pouquinho já em áreas que não necessariamente são as minhas áreas originais. Fiquei super feliz, porque eu me sinto super orgulhoso. Gente, você não tem noção.

E aí, foi super legal. A gente veio com isso. E aí, o time trouxe um negócio a partir disso que eu achei sensacional. Que foi, vamos antecipar essa discussão, porque vai vir a brincadeira. Que é, cara, mas como se entrega isso se não se chamar iFood? E aí, a gente veio com as propagandas que foram super legais. A que eu mais gosto é a do Uber, né? O cara tá lá no Uber e aí ele começa a brincar e fala, brincar não, conversar com o motorista e falar, cara, mas entrega a farmácia, mas não chama iFood? Aí o cara fala, é. Não, mas, peraí, eu tô vendo aqui, mas entrega, não, entrega o quê? Um chip de celular? É, mas chama iFood. E aí o motorista do Uber fala, ó, meu nome, eu não me lembro, era Walt Disney, de nome estranho eu entendo. Então, esse não é estranho, fica tranquilo. Isso foi demais, porque gerou um puta buchiche, e aí a gente antecipou e a gente matou.

Então, uma possível reação que é, cara, não faz sentido nenhum esse nome. E aí as coisas engataram e foram bem. Quando a marqueteira de vocês, a Ana, né? Gosto muito dela também. Ela postou, né, essa campanha e tal. Eu até comentei lá, falando, olha, com certeza alguma agência de publicidade por aí ia querer propor pra vocês a mudança do nome. Porque as próprias agências gostam de mudar de nome o tempo todo, né? E aí eles iam falar, vamos mudar para iF. E aí vamos fazer uma campanha What if? E se? Porque, veja bem o conceito e tal. E eu entendo também quem gosta de fazer essas mudanças, mas com certeza eu não teria mudado de nome também. Porque o nome é a mesma que você falou. É a sua consistência. Você já tem tanto ponto de contato. São uma das marcas mais amadas do Brasil. E uma marca que não tem tantos anos, décadas, assim, de Brasil, né? Então, vocês conseguiram uma relação muito rápido. Com as pessoas, com os restaurantes, com os entregadores. Uma relação que eu sei que também tem muito amor, mas também muito questionamento. Porque toda marca que é grande, que faz uma coisa nova, passa por isso.

Total, faz parte da maturidade. Trabalha no McDonald's também, né? Tá cheio de gente. Mas é uma marca viva, né? Vibrante e pujante. E uma marca que também passa uma coisa parecida que eu passei nos tempos que eu trabalhei lá no Mac. Que tá vendo um monte de concorrente chegar. É um movimento quente acontecendo aí, né, Diego? Chegando agora, outras empresas voltando e, ó, outras opções. E eu tô vendo, todo mundo fala, opa, o que vai acontecer? Sai capa de revista, o movimento.

Eu lembro quando o McDonald's pegou o milkshake de Ovomaltine, os direitos da marca do Bob, saiu na capa da revista. Veja São Paulo, um milkshake brigando com o outro. Eu falava, cara, um case de marketing sai na capa de uma revista assim, veja só. E eu tô vendo isso acontecer com vocês aqui agora. E eu imagino que é um momento que vocês estão assim, opa, estratégia. E agora? Só que é um jogo de xadrez. Alguém entrou no tabuleiro, alguém mexeu uma peça. Como é que a gente faz?

Pra começar por uma pergunta simples, direto ao ponto. Um dono de restaurante, neste momento, pode estar sendo abordado, questionado, tá pensando o que é que eu faço. Por que você diria, dono de restaurante, o iFood é a melhor opção pra você? Por quê?

Cara, o iFood é a melhor opção por duas razões muito simples. A primeira é, a minha cabeça é uma cabeça de growth. Portanto, o que um restaurante quer numa plataforma como o iFood é reduzir a capacidade ociosa do restaurante dele. Ele botou o dinheirinho dele lá, a poupança dele e a chapa não tá funcionando 24 horas do tempo. Então, o cara que tem a cabeça de growth é o cara que reduz essa capacidade ociosa. É isso que a gente fez ao longo do tempo. Quando você fala, pô, vocês cresceram, vocês cresceram, olha os números, olha os números. Na prática, o efeito prático disso é uma cozinha menos ociosa.

E o segundo lado é a capacidade de compreender Brasil e a capacidade de estar em Brasil. Então, a gente sempre fala, quantos já vieram e quantos já foram embora? Eu não tenho pra onde ir embora. E a minha capacidade de compreender Brasil, ela é uma capacidade muito importante. Por quê? Porque a vida do restaurante, em especial do pequeno e médio restaurante, que é 85% do mercado, é a vida de um cara que tem dificuldade de gestão, que não foi preparado pra isso, que vive num país de burocracia muito alta, com custo capital muito alto e etc. Essa minha capacidade de entender isso e envelopar isso em soluções e ferramentas que resolvem o dia a dia dele é extremamente relevante.

Então, quando você olha pra mim hoje, restaurante, você me vê como um ecossistema de solução. Eu não sou mais um cara que vende apenas. Eu resolvo muitas outras coisas. Como, por exemplo, crédito. Eu desembolso de crédito pra restaurante, hoje por mês, 160 milhões de reais, sem garantia, com praxe de pagamento de 18 meses. Esse troço não é simples. Tanto é que o banco não tá dando. Sou eu que dou, não é o banco que dá. Por quê? Porque não é simples. Essas duas capacidades combinadas é o que fazem os restaurantes historicamente optarem pela gente e não pelos demais.

Cara, é um movimento, hein? Imagina o dono do restaurante olhando agora e falando assim, tentador. Poxa, por quê? Fico, vou... Verdade, o iFood me ajudou a chegar até aqui.

Delivery, por vários momentos, os restaurantes olharam, ah, mas não manda delivery, o produto não foi inventado pra isso, nem a batatinha chega a murcha. Depois eles descobriram que o delivery é uma renda adicional. É uma ocasião de consumo incremental. A pessoa não tá em casa e ela fica na dúvida, será que eu saio pra ir comer nesse restaurante ou eu peço em casa? Não. Ou ela decide ficar em casa e aí entre as opções o que eu peço, ou ela decide sair e aí entre as opções o que eu como. Mas delivery veio como uma opção de trazer mais receita, de trazer mais cliente, eles foram aprendendo isso. Já representa uma boa parte do mercado.

E aí ele olha agora e fala, opa, será que eu caio nessa tentação? Vou pra lá, vou pra cá. Na prática ele vai olhar pra vocês e falar, tá aqui uma empresa que me fez desenvolver um novo canal de vendas. Mas pra ele ficar com vocês agora, Diego, pra ele falar, não, vou continuar apostando, vou continuar investindo.

Você falar pra ele, não, a gente entende de Brasil, a gente tem uma mentalidade de crescimento, o que que pra ele ali vai fazer mais diferença mesmo? Ah, mas eu acho que são essas duas coisas, João. Olha só, quando você faz a pergunta e resume ela ao canal, na prática você tá eliminando todas as soluções isoladas que compõem esse canal, que é o que faz esse canal acontecer. Porque veja, o delivery não é mais um mundo em que você dizia assim, não, pega uma plataforma, lista os restaurantes, lista os itens e acabou. Esse mundo existia até 4 anos atrás, 5 anos atrás, tinha um monte de brasileiro vindo pro delivery, ele simplesmente falava, eu preciso de um canal.

Vamos lembrar o mundo do e-commerce, entre aspas, de 10, 15 anos atrás, era um mundo de listagem. Você ia lá e listava as coisas pra vender, e só. No catálogo, online. Era isso, exatamente. Mas o delivery até muito pouco tempo atrás era isso, até 5 anos atrás era isso, e não é mais isso hoje.

Para pra pensar assim, e aí vamos combinar aqui essa questão de mentalidade de crescimento e compreensão do que precisa ser feito aqui, e essas duas coisas se retroalimentando. Quando você pensa hoje no Clube, no meu programa de loyalty, o programa que tem hoje 14 milhões de assinantes mensais, pagando em todo mês, ele tem uma dinâmica que é difícil pra você como consumidor acreditar, não é possível, pago aqui 10, 15 reais por mês e eu estou economizando 100, 200 reais, como é que isso é possível? E ele tem uma média de dobrar a frequência do usuário que entra, em médio. Essa é uma ferramenta que demanda conhecimento local.

Quantos outros programas de loyalty você tem que pagar? Vários, mas nenhum deles me entrega uma equação de valor tão evidente assim, foda. Então, essa capacidade de construir essas coisas, vamos pegar o Move aqui, a gente acabou de anunciar lá no Move, o Hits, que é um programa específico pra entrega de comida de conveniência, de dia a dia, simples, sempre com entrega grátis, a um preço que cabe no seu vale alimentação, no seu vale refeição. Isso não é uma promoção, isso é um modelo de negócios.

Sabe desde quando a gente testa esse negócio? Desde 2018. Eu iterei em 18, 19, 20, 21, 22, 23, em 24 a gente falou eita, pegou, acho que eu achei. E a gente testou ele no último ano todo em Salvador. Foi a cidade que mais cresceu no Brasil, duas vezes mais do que a segunda cidade que mais cresceu no Brasil. Isso aqui é sobre conhecimento local, não é sobre listar um restaurante, não é sobre falar assim, não, listei aqui um restaurante.

Essa é uma visão de quando você não tinha ainda uma capacidade, e aí tem a ver com maturidade em indústria, de você entendendo questões muito específicas e saindo com produtos que são muito específicos. Então não é sobre uma promoção.

Vou pegar o exemplo do Turbo que a gente anunciou também, do iPhone de Turbo. O Turbo, cara, a gente entrega em até 20 minutos uma comida que vai ser feita, certo? Cara, para pensar nisso. Como é que é possível você entregar uma comida que vai ser feita em até 20 minutos? Isso não é simples, isso não é sobre listar, isso é sobre desenvolver um modelo operacional que envolve outras 20 coisas que eu fiquei dois anos desenvolvendo.

Funciona no Brasil, mas não necessariamente funciona em outro país, porque tem a ver com a forma como os restaurantes aqui se organizam. Eu vou mais longe, tem a ver com o tipo de gastronomia. Em determinados países tem uma gastronomia que é muito relevante, que ela não consegue encaixar aqui dentro. Então, você vê, isso aqui tem a ver, e aí quando eu plugo isso dentro de um lugar, ele vende mais. Por que ele vende mais? Porque ele destrava a ocasião.

Então, vamos parar para pensar no cara que antes, de segunda a sexta, ia no restaurante da esquina, e agora ele diz assim, cara, entrega aqui, 20 minutos, taxa grátis, o mesmo preço do salão, eu vou pedir aqui e como aqui mesmo, na empresa. Antes essa opção não existia, agora essa opção existe. Por que eu gero growth? Porque eu consegui construir um modelo que faz o cara que trabalha de segunda a sexta e almoça na esquina, agora considerar algo que substitui essa ocasião dele.

Isso serve nos Estados Unidos? Não. Nos Estados Unidos as pessoas já comem em 15, 20 minutos, elas descem, vão na esquininha, pegam um sanduíche, comem e voltam. Tem nada a ver com os Estados Unidos. Então, você vê, o conhecimento local é o que te gera growth. Isso tem um valor enorme. Não só o conhecimento do Brasil, mas o conhecimento aqui do meu CEP, né?

Exatamente. Eu vejo em vocês, se eu tivesse um restaurante que operasse com vocês, eu falo, puxa, o iFood conhece muito do Brasil, do mercado e do meu negócio, porque vocês têm capacidade de me ajudar a saber que aqui na minha região, se eu tivesse operando por uma hora a mais no meu delivery, eu estaria faturando mais. Vocês têm condições de saber que se eu tivesse aqui colocando o morango do amor no meu cardápio, eu estaria vendendo mais.

É isso. Se eu tivesse oferecendo um combo, ao invés de um prato sem bebida, eu estaria faturando mais. Exato. Que tem muita gente aqui no meu bairro que quer uma entrega muito rápida e eu não estava nem aí com isso, mas assim, você sabe, eu sempre pago lá a entrega ultra expressa, porque eu sempre deixo para pedir quando eu já estou meio com fome, aí eu sempre falo, devia ter pedido antes. Aí eu sei, na sua região, então diminui 10 minutos o tempo de entrega.

Então, eu posso ver o iFood como alguém que por ter uma base de dados grande, um histórico grande, pode me ajudar a crescer, seja com dicas, com ferramentas, com outras coisas que vocês estão proporcionando. Eu sei que vocês estão ajudando agora os restaurantes a crescer a venda do salão.

O que vocês estão fazendo? Porque é uma empresa que nasceu para ser delivery, de repente começa a falar eu quero te ajudar a trazer mais negócio para o salão. O que vocês estão fazendo, Diego?

Então, cara, eu volto para o mesmo tema. É sobre crescimento e conhecer a localidade. Entende? Por isso que, para mim, essa capacidade que você tem de manter uma cultura que quer crescer o tempo todo, o grande beneficiário é o parceiro. E a única forma disso acontecer é via inovação, é achando esses produtos.

O que a gente está fazendo no salão? Cara, a gente, por muito tempo, queria entrar no salão. A gente falava assim, cara, mas como é que eu entro lá? Aí vem as primeiras respostas, vamos fazer pagamentos, maquininha. Aí a gente falava, maquininha? Você tem uma maquininha A, B ou C? A diferença das maquininhas é só o preço. Não, não funciona.

E aí um dia o time foi pensando, pensando, pensando e chegou numa resposta. Desenvolveram um código, enfiaram esse software dentro de uma maquininha e falou, o que esse código faz? Você chega num restaurante, passa seu cartão ou coloca seu celular, ele automaticamente bate na minha base de dados, que tem 60 milhões de brasileiros, que compram ativamente no iFood, que diz o seguinte, ó, esse aí é o João. O João, esse é o código pensando, né? O João, ele mora longe do seu restaurante, mas trabalha perto do seu restaurante. O João pede na casa dele, ou seja, ele gosta da sua comida, mas ele não costuma ir aí. Ou seja, o João é um cliente potencial do seu salão. Ele já provou que gosta de você. Ou ele pode dizer outra coisa, ele pode dizer, o João mora no Rio de Janeiro. O João tá de passagem em São Paulo. Não faz sentido nenhum você tentar reter o João.

E aí, o que isso tá dando na ponta? Tá dando o que talvez alguém sumarizaria de uma forma muito simples. Ah, isso é um CRM.

Não, não. Isso é um CRM com a inteligência do dado. Tem uma diferença enorme disso. Uma coisa é fazer um CRM e você começar a botar uma pessoinha lá. Não é um banco de dados só também. A união dessas duas coisas, o que que ela permite? Ela permite o restaurante agora gerenciar o tráfico dele.

Então, vamos pra um caso que é um dos que eu mais gosto. Quantas vezes você foi numa sorveteria segunda-feira à tarde? Poucas. Ou zero. A chance de você ir numa sorveteria segunda-feira à tarde é muito próxima de zero. O cara tá aberto lá. O freezer tá ligado, o aluguel tá sendo pago. Beleza.

Então, imagina que você foi na sorveteria no final de semana com a sua família. O CRM olha e fala o João trabalha aqui perto. Ele gosta da sorveteria. A ponto de ter vindo aqui com a família dele. Por que que você não oferece pro João um desconto pra ele vir só as segundas-feiras à tarde e compra o risco dele dizer, ah, ao invés de no trabalho eu comer lá no trabalho mesmo, uma barrinha que eu trouxe já que eu ganhei esse cupom, eu vou descer e vou tomar um sorvetinho hoje. Olha como isso muda a dinâmica de como o restaurante consegue pilotar o salão dele.

O que que é isso, João? Isso é conhecer a localidade. Aí você pega a mentalidade growth que é, eu preciso achar soluções pro cara continuar crescendo. E você desenvolve a inovação produtos que fazem muito sentido pra aquela realidade, aí você casou as coisas. E aí eu consigo fazer do restaurante um restaurante que cresce no salão. Isso tem tudo a ver com a nossa lógica, com a nossa cultura e, portanto, com o restaurante olhar pra mim e falar, cara, esse cara é a minha melhor opção. Ele me ajuda a oferecer a coisa certa pra pessoa certa.

Eu acho que o tamanho da oportunidade que existe no Brasil, não só de delivery, tá? De tudo. De oferecer a coisa certa pra pessoa certa e fazer com que essa venda aconteça com pouca fricção é imensa, né? Total.

O que que você acha que vai acontecer Diego, no mercado de delivery no Brasil próximos anos? Você acha que o que vai acontecer é que o brasileiro no futuro vai pedir muito mais delivery do que pede hoje? Ou você acha que o delivery vai ganhar um tipo de ocasião? Pra onde vai o mercado do delivery no Brasil?

Cara, o delivery vai é... pra um crescimento muito mais forte, porque na prática, quanto mais concorrentes tem aqui, mais você continua educando e fazendo mais pessoas entenderem que existe uma possibilidade dela tomar essa decisão de usar o delivery versus a outra opção que ela tava considerando. Sim.

Então acho que o mercado vai crescer muito mais. Eu vejo aqui muito mais uma evolução de mercado. É natural que as pessoas elas olham e falam, olha aí, vai ter uma briga, isso aqui. E é normal, estratégia de go to market, uma empresa que entra, vai querer chamar atenção pra isso, tá tudo bem. Mas ao longo do tempo, a coisa tem que se equacionar. E esse equacionamento tem a ver com você fazer as coisas de forma sustentável. Todo mundo precisa fazer. Senão não faz sentido, certo? Senão é o que a gente chama em estratégia de racionalidade competitiva. Você involui, e não evolui.

Então em estratégia de go to market é super natural alguém vir e falar vou falar mal de não sei quem, vou gastar um monte de dinheiro. É normal, qualquer um faria isso que tá entrando. É super normal. Mas depois que isso passa, o que você tem é um awareness muito maior porque tem mais gente tentando trazer o cliente. Concordo. Certo?

Então o mercado vai crescer. Meio que o mercado cresce, o que você tem na prática? Você tem um processo de iteração maior. Ou seja, você vai descobrindo mais situações ainda que você fala, opa, eu não tinha entendido ainda que o consumidor acha A ou acha B ou quer isso ou quer aquilo. E aí com isso, a gente vai ganhando a possibilidade de novo de inovar muito aqui. Por quê? Porque eu preciso crescer.

Porque eu preciso levar esse crescimento pro restaurante. Então é isso que eu enxergo acontecendo nos próximos anos no mercado.

Eu concordo totalmente. Eu acho que se você tem um restaurante que tá assistindo a gente aí, prepare pra vender muito mais no delivery. É o que eu acho, tá? Porque, imagina que chegasse no Brasil, sei lá, uma companhia aérea nova com uma proposta diferente, tá? Seja qual for. Fala, ó, a gente tem voos assim agora. E que comece a falar mais sobre isso no mercado. No mínimo as pessoas vão pensar mais em viajar. Talvez elas comecem a considerar uma alternativa que elas não tinham considerado e o que vai acontecer é que as pessoas vão viajar mais.

Eu tenho certeza também que vai acontecer que a gente vai pedir mais delivery no futuro e o que vai acontecer é que esse mercado se acomoda de alguma forma e que no tempo os melhores serviços acabam sendo recompensados também com a preferência das pessoas. Tem que ser assim.

Vocês construíram um aplicativo, Diego, que tem muita inteligência também, né? E eu sei que você adora falar sobre inteligência artificial. Hoje vocês estão usando inteligência artificial pra quê? Pra tudo. Literalmente.

Se eu desligar uns exemplos práticos... Pode usar um monte, mas só pra você entender assim, ó, eu tenho hoje 190 modelos proprietários e eu tenho outras centenas de modelos que eu faço o que a gente chama, tecnicamente, de wrapping. Que é pegar um modelo meu e fazer um wrapping com outro modelo e aquilo me dá uma outra condição então.

Então eu tenho 190 modelos proprietários que se eu desligar esses 190 a empresa literalmente para. Não existe. Eu não consigo, tecnicamente falando, operar o iFood sem esses modelos. Não é cosmético, não é opcional. Não, eu não tenho opção. Eles funcionam 24 horas por dia.

Eu vou te dar exemplos práticos aqui. Eu vou de uns extremos aqui pra você entender a beleza disso. Hoje, 90% dos meus contatos, dos contatos que eu recebo de um restaurante, de um entregador, de um consumidor, 90% é resolvido por um agente de IA que tem um NPS melhor do que o ser humano. Beleza? Muito melhor. 90%. Ele resolve o problema, ele responde mais rápido. Porque ele tem uma capacidade de compreender o todo.

Uma pessoa, quando ele recebe, ele precisa dizer beleza, quem é esse cara? O que ele faz? Ele é um cliente que é correto ou ele parece um fraudador? Deixa eu ver o pedido. Será que o restaurante historicamente é ruim? Ela precisa permear essas coisas. O modelo, eu acho que ele permeia, mas permeia numa outra velocidade, com uma outra capacidade.

Então, hoje, e por que isso é tão importante pra mim? Porque eu opero em picos. Porque o meu negócio ainda é majoritariamente comida. Almoço, jantar. Então, eu brinco com as pessoas, é como você sair de um jogo de futebol no intervalo e 40 mil pessoas ir nas 10 lanchonetas que tem pra comprar uma água. Ferrou. Acontece o de sempre, aquelas filas enormes.

Então, hoje, o que resolve isso? Você vê, eu já venci no Brasil, o prêmio reclama aqui. Não no meu segmento. No Brasil. No meu segmento, a gente sempre venceu. Mas não é no segmento, é no Brasil. Como é que pode uma empresa que tem uma operação assim e que tem milhões de pedidos? É impossível. É possível por causa de ar.

Então, eu tenho hoje, a gente dá o nome desse modelo de Rosie. Ela quem atende, ela resolve 90%. Não é que ela atende, ela resolve 90%. Então, esse é um exemplo.

Vou te dar um outro exemplo. Eu tenho uma ferramenta hoje de mediação. Então, o que ela é? Ela é um modelo que compreende o que o consumidor está dizendo. Pô, pediu uma Coca, mas eu queria que trocasse por uma Fanta. E do outro lado, ele entende o restaurante. Então, primeira coisa, ele entende os dois. A segunda coisa é, o restaurante pode presetar determinados comportamentos. Eu faria isso por um consumidor, eu não faria isso por um consumidor. O que o modelo faz?

O modelo, ele arbitra isso durante a jornada. Pô, mandei o chat lá. Cara, você não sabe, queria uma Fanta e não uma Coca. Se tem uma regra presetada, tá fácil, certo? Pode trocar, gente, quando for sim. Se não tem uma regra presetada, eu tenho um problema.

O que o modelo faz? O modelo entende um comportamento histórico do restaurante. E ele fala, esse cara vai trocar. E ele toma a decisão da troca. E se eu errar, eu reembolso o restaurante. Eu tomo esse risco. Eu erro 0,03% das vezes. 0,3% das vezes. Cara, isso é um negócio espetacular. Você imagina quantas vezes um cliente ficou satisfeito porque o modelo, sem ele saber que é o modelo, disse, claro, vamos fazer a troca. Cara, isso é espetacular. Isso é espetacular.

Vou te dar um que eu gosto mais ainda. Esse, pra mim, eu acho o mais genial de todos. Eu tenho um algoritmo hoje que ele fica lendo a demanda existente não atendida. Então, pensa assim, nessa região aqui, de segunda a quarta, entre 6 e 8 horas da noite, tem uma boa demanda por tapioca. Só que ninguém vende tapioca. Ele fica entendendo. Ele só tá buscando tapioca, mas não tem nada, não achei. Ah, então vou pedir um pão de queijo. Então ele vai entendendo. Quando ele chega numa certa demanda, porque eu não posso fazer isso pra uma pessoa, uma pessoa for lá e procurou uma tapioca. Quando ele entende e fala, cara, agora tem aqui uma demanda interessante, o que ele faz? Ele vai em todos os restaurantes daquela região, entende o cardápio e entende os ingredientes que ele tem na cozinha. E aí ele chega e diz, então, desses restaurantes todos, tem esses 10 aqui que podem fazer uma tapioca.

Aí ele vai no perfil do restaurante e ele entende o posicionamento do restaurante. Pô, se é um restaurante que vende caviar, ele vai falar, não, cara, não é esse cara que vai vender tapioca. Mas se é uma padaria, esse cara vai. Então daqueles 10, vamos achar que ele chega em 3. Ele dispara pros 3 na plataforma e diz, ó, existe aqui demanda por tapioca. Você não quer colocar no seu cartão? Você não quer? Aperta o botão e já adiciona aqui agora. Sensacional.

Olha que interessante, João, eu vou voltar lá no meu tema. Isso é mindset crescimento com compreensão local. E isso só dá pra fazer se você tiver 120 milhões de pedidos. Porque se não, como é que você vai saber? Ah, duas pessoas estão buscando por tapioca, vamos colocar no cardápio, né? Exatamente. Ou veio uma onda de frio. Vira e mexe, eu vou lá e coloco. Sopa. O que aconteceu é que o frio veio de repente. Os restaurantes ainda não conseguiram pensar na ideia de colocar a sopa lá e tem pouquíssimas opções ali. Eu falo, hum... Podia ter mais alguém vendendo sopa, né? Talvez seja só eu, mas se um monte de gente anda lá buscando sopa e você pudesse avisar os restaurantes... Exatamente.

Estou vendo o iFood como alguém que me ajuda a crescer, né? Que me ajuda a vender mais. Legal. Agora, Diego, eu vi vocês anunciando aí recentemente um monte de parcerias, investimentos, né? Eu vi Decolar, eu vi Uber e vi CRM Bônus, né? Cada um num modelo diferente, mas o que está acontecendo aí? Conta um pouco desse bastidor, o que tantas parcerias investimentos... Para onde vocês estão indo?

Está acontecendo um monte de coisa, João. Mas, ó, a lógica central aqui é a seguinte. A gente cada vez mais quer compreender a jornada de uma pessoa. Hoje, a compreensão de uma jornada, quando você é uma empresa que faz só uma coisa, exceto se você for talvez uma rede social, ela é limitada. O que eu estou ganhando agora? Eu estou ganhando cada vez mais a capacidade de entender o detalhe da jornada. Então, eu vou te dar um exemplo. Pensa numa pessoa que opera um CRM num app. Então, ela fala, pô, vou mandar pro João, agora, perto do almoço, opções de carne, porque o João gosta de carne. Ele dispara lá um push pra você, certo?

Pensa que você, que é um cara que viaja bastante, você resolve, recebe muito push, que não faz sentido nenhum. Sei lá, você viaja, cara, duas vezes por semana. Você recebe muito push, que não faz sentido nenhum, porque é pra São Paulo, carne. Eu não tô lá. Mas se você for um cliente da Decolar, agora eu posso ter acesso a essa informação. E hoje o João não está em São Paulo. O João está no Rio de Janeiro. E quantas vezes você já deve ter pensado ou ouvido de uma pessoa assim, cara, seria tão legal se eu soubesse os bons restaurantes da cidade que eu tô indo, porque... Então, pensa que agora eu ganho a capacidade de dizer o João costuma pedir restaurantes com essa característica, com esse preço médio, só que o João tá agora no Rio. O que eu vou sugerir pra ele é esses restaurantes no Rio. Olha como isso muda completamente. Então, esse é um detalhe.

Agora, você imagina que quando eu pego a Simpla, adiciono esse detalhe. Então, vamos pegar a Simpla aqui no seguinte. Quando eu olho pro seu CPF agora e vejo que você tá indo em peças de teatro infantil, o que vai aparecer na minha farmácia, ou que já aparece na minha farmácia, é fralda. Você é pai. Agora, pra você só descobrir se seu filho tem um ano de idade ou se tem sete. Então, você não precisa mais de fralda. Você vai precisar de outras coisas. Essa informação muda tudo, cara. Que é como se o Netflix já me sugerisse ali aquilo que eu acho que tem chance de eu gostar. Então, você vê que eu ganho uma capacidade de te entender dez vezes melhor. E, portanto, eu sou mais eficiente. Se eu sou mais eficiente, eu cresço. Eu volto lá nos dois elementos. Mentalidade de crescimento e soluções locais.

Eu vou pra um outro caminho agora. Quando você olha pra um Uber, você fala, mas o que o Uber tem a ver aqui? Você pode falar, ah, beleza, é só mais um negócio. Não, não é mais um negócio. Pensa assim. Os dois apps que as pessoas mais abrem no Brasil, na sua rotina diária, não estou falando aqui de rede social, são iFood e Uber. São os dois apps mais abertos do Brasil. De novo, eu estou tirando redes sociais aqui, né? Então, eu não estou me comparando aqui com Instagram, WhatsApp. Todas as vezes que você abre o Uber e vê o logo do iFood, o que pra mim isso tem de efeito? Awareness. Então, se você usa o Uber duas, três vezes por dia em momentos que você nem está pensando em comer, no mínimo você está vendo iFood. iFood. Com a propensão de você chegar na sua casa e esse recall te ajudar a me escolher. Ele é maior do que se eu não tivesse isso. Isso nada mais é do que awareness. Presença de marca. É tipo pagar uma mídia out of home. A diferença é que eu estou fazendo isso no maior app do Brasil em termos de visualização junto comigo. Espetacular.

Junto com isso, eu ganho a capacidade, e a gente anuncia isso em setembro, de fazer a fusão dos planos de loyalty. E um programa de fidelidade, ele é baseado, o sucesso dele, em duas coisas apenas. Frequência de uso e proposta de valor. Às vezes você tem proposta de valor, mas como você não tem frequência, você não dá tempo de acumular, de perceber. Eu preciso das duas coisas. Então, olha que interessante. Eu já tenho o meu e coloquei o da Decolar. Então agora você consome no iFood e ganha pontos lá no da Decolar. Então eu estava olhando aqui hoje, o meu tem quatro meses de programa. Eu tenho lá R$200 na Decolar já. R$200 é 10% de uma passagem aqui no Brasil. Se você fizer uma passagem aqui considerando R$2.000 uma passagem, é 10% do valor já. Caceta. E você adiciona agora Uber. Então, o que você faz? Você traz pra dentro um programa, você fala assim cara, eu estou usando ele quase que diariamente. Ou pedindo uma comida, ou pegando um carro e mais uma vez no semestre fazendo uma viagem. O que você está fazendo? Frequência. Frequência. Frequência. Frequência. Frequência.

O que que você não faz quando você tem frequência? Você não deleta um app. Certo? Então, quantas vezes você baixou um app de uma companhia aérea, e aí um tempo depois você foi procurar, o próprio iPhone foi lá e deletou ele. Por quê? Porque você não está usando. E aí ele libera a memória pra você. Ou seja, a frequência, ela está muito associada à relevância, por óbvio.

O que que eu estou fazendo aqui? Aumentando essa frequência. Aumentando. De novo, eu estou falando do quê? Mentalidade de crescimento. Porque se cada vez mais pessoas olharem pro programa de fidelidade e falarem porra, que massa esse troço. O que que acontece? Eu vendo mais. Se eu vendo mais, o restaurante... Então, tudo gira em torno disso.

Então, essa lógica de ecossistema, ela tem de novo a compreensão desses dois elementos. E muito baseado no que você vai aprendendo sobre as pessoas também. Pra poder ser mais relevante e crescendo não só pela presença, mas por falar, olha, eu sei que você gosta. Sei que você gosta de pamonha salgada. Eu sei que você sempre come feijoada quando você está em São Paulo, hoje você está no Rio, e eu vou te oferecendo a coisa certa. Total.

Ó, eu vou fazer um negócio aqui... Opa! Opa! Opa! Só pra gente... Só pra eu te mostrar um pouquinho disso. Deixa eu ver se a minha internet vai funcionar bem aqui. Mas, ó, hoje a gente já está testando com umas... Já está testando um assistente baseado nessas informações com umas 10 mil pessoas. Então, eu escrevi aqui qual o meu perfil? Então, escrevi aqui, ó, acabou de vir a resposta.

Então eu vou... No final ele sempre tem uma conclusão assim, então eu vou nele pra facilitar. Olha o que é interessante, ele fala... Você mora numa região de classe A, B. Costuma pedir refeições mais leves no almoço durante a semana, tipo saladas e bols. Você provavelmente tem de dois a quatro filhos e é casado. Alimentar em finais de semana se permite mais indulgências, provavelmente porque os seus filhos gostam de sobremesa. Você gosta de experimentar sabores diferentes e exclusivos e não dispensa um docinho de vez em quando. Valoriza produtos artesanais. Às vezes pede para mais pessoas principalmente em finais de semana ou datas especiais como a data do seu aniversário.

Imagina se uma loja de roupa consegue saber que eu estou indo para uma festa. Imagina se uma pizzaria consegue saber se eu estou de regime. Se um posto de gasolina consegue saber se eu preciso trocar o óleo do carro a hora que eu chego para abastecer. É muito poderoso esse mundo que a gente vai. É muito poderoso. Isso vai mudar tudo, né Diego? Não só na nossa interação com o delivery, mas a gente vai começar a ver cada vez mais marcas fazendo isso. Total. Isso vai mudar as nossas referências, as nossas preferências.

Mas antes de chegar num avião de uma companhiera já saber que você gosta da janela. Mas isso já existe. Vai, né? Não, isso já existe. Isso eu já estou testando. O que eu estou testando hoje com a Azul é e essa RM Bonus aqui é importante nisso. Você entrou no avião pegou o avião, você assumindo que você deu um opt-in, né? Obviamente.

Essa base vai para o destino. Então você está pousando em Fernando Noronha. Vai para o destino e aí bate lá nos restaurantes. Fala ó, estão chegando aqui 50 pessoas bem na hora do almoço. Você quer oferecer algo pra ir pra lá? Pra levar essas pessoas? O cara fala, quero. Ele fala, o que você vai oferecer? Vou oferecer um desconto aqui ou... Uma sobremesa grátis. Isso. Então clica aqui. Quando você chega, a internet abre, você recebe o push. Seja bem-vindo a Fernando Noronha. Se você quiser almoçar aqui no restaurante do Zé vem aqui que você vai ganhar uma sobremesa. Isso eu já estou, isso pra mim é uma realidade. Eu não estou testando assim tipo um AV0, porca, no barbante. Não, não, não. Isso já é uma realidade.

Eu já estou fazendo os primeiros testes formais com shoppings pra fazer essa mesma lógica a partir da cancela do estacionamento. Você chegou lá, o hardware leu o seu tag, abriu. Eu sei que o João está entrando. O João come carne ou peixe? Não, o João come peixe. Então qual a probabilidade dele no restaurante alta? Talvez eu não precise dar uma promoção pra ele. Então o restaurante pode tomar essa decisão. O João come peixe. Como é que eu trago o João pra um restaurante de carne? Fazendo uma promoção melhor.

Você aperta ali e aí automaticamente isso vem pra isso aqui. Uma página de... Não, não, esse é meu app. Você vai dar uma olhada aqui nesse ícone. Mas dentro do aplicativo um ícone de comer fora. Isso. Que é o Comei Lá No Salão. E aí você clica nele Tá aqui ó, os restaurantes. Tem uma série de benefícios que eu tenho acesso. Você clica nele. Baseados no meu comportamento. Escolhe o que você quer. Na hora que você paga, ó, desliza pra poder pegar o cupom. E na hora que você chegar lá e pagar, ele automaticamente deduz o valor.

Não é que você vai lá e ele fala, anota aí 22 36, 41. Fala a senha secreta. Na hora que você passa o cartão, eu já sei o seu cartão, o seu cartão tá aqui. Já existe na minha base. Ou pelo celular. Você digita o celular e aí a máquina, o POS, ele reconhece e faz os descontos. Tudo integrado. E é pra lá que o mundo vai.

E você assistindo a gente aí, ó. Será que eu devia? Inteligência artificial? Tecnologia? Eu prefiro olhar no olho do cliente. Óbvio que olhar no olho do cliente faz diferença também. Mas olha pra onde o mundo vai, hein, gente. Daqui a pouco você vai chegar lá na farmácia o pessoal já consegue saber as pesquisas que você fez, o seu histórico de saúde, quanto que deu a sua pressão a última vez que você mediu e conseguem te oferecer a coisa certa. Óbvio se você autorizar.

Daqui a pouco o fotógrafo vai saber que você prefere fotos do perfil do lado direito, do lado esquerdo. Olha pra onde vai, né? É isso. Então a gente gravou um dos episódios aqui, não sei se já foi a hora ou não, com o pessoal do Pinterest. Ele falou assim, agora o pessoal fica olhando lá a pastinha do Pinterest da esposa, da mãe, você consegue saber o que ela quer de presente. Gente, as marcas vão saber o que você quer de presente, o que você tá com fome. O mundo vai ficar divertido. Muito, muito.

Eu sei que você não cuida hoje só da área de marketing, você cuida de tudo. Você é o CEO da operação e você tem pessoas que cuidam da área de marketing. Como o CEO nesse mundo que muda tanto, o que você espera que a galera de marketing faça? O que você espera que eles te ajudem em quê?

Cara, duas coisas. Um é consistência, seguir a direção. O meu papel como CEO é setar a direção. O meu papel como CEO não é ir lá, ficar enchendo o saco e aprovando cada campanha. Porque se eu tivesse que fazer isso, eu seria o especialista. E eu não sou o especialista. Eu preciso setar a direção. Isso é super importante. Então, quando eu falo em consistência, não é no sentido de ser chatinho, processual. É no sentido de dizer, eu entendi a direção. É pra lá que a gente tá indo. E aí eu vou trabalhar, o time vai trabalhar tudo pra poder levar pra esse caminho. Super importante. É isso que eu espero do time. Por quê? Porque, João, quando... Isso parece bobo, mas a maioria das pessoas, elas vão tender a querer fazer coisas que... Ai, meu Deus, isso é tão legal. Ai, isso é tão diferente. Essa oportunidade parece tão boa. Isso tá falando com a minha direção. Então, eu espero consistência. A outra coisa é eu espero pirueta, cambalhota, dentro da consistência. Eu preciso de coisa diferente. O quê? Sei lá. Testa aí, bicho. Por exemplo, a Kazé TV pra nós foi isso. Você imagina, a gente chegou lá na época da Copa e disse, puta, não votar lá na Rede Globo. E agora? Como a gente vai fazer a Copa?

Pô, tem um cara aí que talvez consiga. Aí ligamos pro McDonald's. Pô, aí o McDonald's falou, acho que eu consigo triangular esse troço. Vamos tentar? Pô, vamos tentar. Aí foi lá, triangulou. Opa, deu certo. O cara vai poder transmitir. Massa, o cara vai poder transmitir? Legal. Como é que eu faço agora as pessoas saberem mais disso? Pô, e se eu colar ele na minha marca e eu fizer o trabalho de exposição dele? Olha que interessante.

Então, você tá dizendo que você tá pegando o seu asset, o seu dinheiro e tá ajudando o cara a ganhar relevância? É. Qual o problema nisso? É contra-intuitivo, mas não tem um problema. Vamos tentar? Vamos tentar. E foi um sucesso. Foi um sucesso. Sucessaço. Cambalhota, pirueta. Consistência e pirueta. É isso. Gostei. Aí, marqueteiros, consistência e pirueta, hein? Olha aí, que bacana.

Cara, sabe que a relação de CEO com marketing não é uma relação fácil. Zero fácil. A maior parte dos CEOs não confiam no seu marketing e acham que o investimento de marketing não sei pra onde vai e não sei se eles estão apontando o lado certo.

Outra forma de visualizar isso que você falou é assim, lá no meu curso, tem um curso de marketing, né? Uma das últimas coisas que eu mostro é uma imagem de um alvo todo ferrado, assim, ó. Que deram um monte de flecha e que um monte delas acertou, mas um monte errou também, agora, assim, pegou na parede, sabe? E eu falo pra eles, gente, o mundo mudou. Você ficar pegando tuor, fazer pesquisa um ano pra você dar uma flechada só e botar todas as fichas de todo risco do mundo pra você tentar acertar, você vai morrer de medo e você não vai assim, fazer de uma maneira que assuma riscos. Então, entenda onde é que tá o alvo e dá-lhe flechada.

E a sua função como CEO? Eu falo, o alvo tá pra lá, ó. Agora, marketing, por favor, consistência, atira tudo pra lá e pirueta. Um mais forte, um mais fraco, um pra cima, um pra baixo, flecha de ferro, flecha de madeira e pá, pá, pá, pá, pá e vamos tentar achar a forma de acertar, né? É isso.

Eu gosto de fazer uma analogia que é a seguinte, quando você tem 18 anos de idade, você, via de regra, não se preocupa com a sua saúde, certo? 18 anos de idade, cara. Você se preocupa com a sua estética, com a sua saúde você não se preocupa. Mas você conversa com seu pai, com sua mãe, com seu médico, com seu tio, com sua tia, todo mundo vai falar assim, cara, tem que se preocupar com a saúde. Cuidado. Aí a sua resposta é, não, eu fui ao médico e meus exames de sangue estão ótimos. Tudo bem. Isso é quem não entende direção e a maioria das pessoas é isso.

Então, quando você fala assim, a relação com o CEO é difícil, porque eles falam, e aí, não sei o que, é a pessoa, essa é a pessoa com a cabeça imatura, essa é a pessoa com 18 anos tentando pilotar marketing. Então, na foto, você parece estar com saúde, sua empresa está bem, sua receita está aí, seu não sei o que está ali, mas a consistência para buscar essa direção, saúde, nesse exemplo meu, cara, você precisa de 10 anos, 20 anos, 30 anos, 40 anos, 50 anos. Verdade.

A gente só está discutindo a polêmica da Jaguar agora, porque por 100 anos eu estou exagerando, por 100 anos ela criou uma consistência. Jaguar esteja certo ou errado, esse não é meu ponto aqui. O meu ponto é, você só está discutindo a polêmica porque um dia ela criou uma direção, teve consistência e ela fez o mundo inteiro acreditar que ela é aquilo. Verdade. Cara, consistência é um superpoder. Super. No mundo dos negócios. Super.

Eu costumo contar essa história falando assim, não sei se você gosta de show de humor, tá? Adoro. Mas stand up, os caras pegam o microfone, aí ele vai lá na frente da plateia. Começou o show, tá? Acabou de começar. O cara pega o microfone, vai lá na frente da plateia, chega, pega o microfone e fala lá, três palavrões. Está todo mundo rindo.

Fala, mas não contou nenhuma piada. O pessoal está rindo. Só falou palavrão. É, mas é que aquela galera que está lá, primeiro que eles pagaram, eles já estão pré-dispostos a rir porque eles pagaram pra isso. Mas segundo, porque eles já viram aquela figura ali contar tantas piadas engraçadas, que só de ele chegar ali, eu olho pra cara dele e eu lembro de todas as vezes que ele contou uma coisa legal e eu já dou risada também. Com certeza.

Então você olha o logo do McDonald's, já te dá... Muitas vezes eu estou fazendo palestra, aula de apresentação, a pessoa fala, nossa, no slide 18 subiu um cheiro de batata frita. Como é que você fez isso? Eu falo, não fiz nada. Cara, eu não sei o que aconteceu aí em você mesmo, mas eu já escutei isso muitas vezes, sabia? Imagina.

A pessoa olha a marca, olha o logotipo, olha na camisa, olha a bag do iFood, olha o sonzinho da moto, ele já, opa, escuta, iFood. Eu já sei. Se vai ser rápido, se vai ser prático, se vai ser fácil, se vai ser difícil, se o problema é fácil de resolver, se não é, e isso vem com a consistência. Mas olha que interessante, você falou iFood, por que você fala isso hoje? Porque eu já ouvi muitas vezes. Eu tô há 14 anos colocando isso lá na TV, no app, no rádio, não sei o que, é só assim que você consegue, consistência. Se eu mudar todo ano o sonoro, não vai ter isso.

Exatamente, a musiquinha do Guilherme é aquela, anos e anos. Isso volta para aquele ponto que você falou há meia hora atrás, que você falou, você chega numa agência, a agência fala o que? Não, vamos mudar tudo, e o nome, não sei o que, nananã. Cara, eu entendo a necessidade de mudança, mas você tem que mudar depois que você atingiu o alvo. Aí você pode até considerar fazer mudança. Ainda assim, talvez não como a Jaguar. Eu costumo dizer que a gente só deve mudar quando a gente tem um problema. É outra forma, boa, gostei.

Agora, o pessoal das agências aí, eu sou totalmente a favor de você trabalhar com uma agência boa, tá? O que eu queria mais ver, Diego, não era assim, ah, um monte de notícias de tal marca mudou, tal marca mudou. Sabe o que eu queria ver? Eu queria ver uma notícia falando assim, olha, tal marca está recebendo um prêmio que faz 100 anos que não muda nada. Total. E está há 100 anos trabalhando com a mesma agência que ajuda eles a não mudar nada. Total.

O pessoal que trabalha na agência do MEC, são as mesmas pessoas há décadas. Eles sabem mais da marca do que eu sabia lá, de tanto que eles falam, cara, está aqui, olha, uma marca, super poder da consistência e que legal ter um CEO que valoriza isso, entende o valor disso. Muito bom. Me dê só as piruetas.

Diego, para a gente encerrar, o que é uma coisa boa de ter concorrentes novos chegando? Cara, a coisa boa de ter concorrente novo chegando é você refletir e ter a segurança que você está gastando o seu tempo, os seus recursos naquilo que constrói o futuro. Quando concorrência nova chega e a sua... o seu passo inicial é reagir, o que você está fazendo na prática? Você está invalidando um plano que você construiu, uma direção que você construiu. Então, ela te ajuda a entender que aquilo que você está fazendo, da forma como você está fazendo, está correto. Óbvio.

Se você tiver que mudar, você vai ter que mudar. Ela está te ajudando a entender que você estava errado. Então, eu gosto de fazer sempre uma analogia com a vida. É como chegar uma pessoa muito bonita e você falar assim, está tudo bem, porque a minha companheira ou meu companheiro valoriza outra coisa que eu tenho. Seja porque eu sou uma pessoa interessante, inteligente, porque eu leio, porque eu faço esporte, sei lá, não interessa o que. Mas sabe você dizer assim, não é sobre esse elemento aqui da beleza, nesse exemplo simplista que eu dei. Então, essa é a beleza da concorrência chegar.

Então, a gente internamente olhou e disse, vem cá, as soluções que eu estou construindo aqui, estão gerando isso aqui? Estão. Então, mano, segue. Segue, vai. Vai ter isso, vai ter aquilo. Segue, segue, segue, segue, segue. Vai pra frente, vai pra frente. Não vamos nos preocupar com isso. Sem perder a capacidade de reflexão. Se em algum momento o senhor olhar e falar, opa, tem um troço ali que eu não tinha visto, que ele está fazendo. Vamos ver isso aí, vamos fazer e vamos ajustar. Mas essa é a beleza.

Muito bom. Cara, muito obrigado por você ter vindo aqui. Queria te deixar um presente.

Ah, louco, desculpa. Desmarketizo esse marketing que não parece marketing. Curiosidade aí pra turma, a gente tem livros da mesma editora. Editora Gente. Você tem dois, eu tenho dois. E a gente já se falou lá atrás antes da gente lançar. Deu lançar, você já tinha lançado. Queria te agradecer pelas dicas que você me deu.

Imagina, imagina. Esse é o poder da humildade, né? Ou seja, a gente não era amigo. Mas você não me impede de pegar uma mensagem sua e falar cara, te ajudo? Pô, me liga aí, vamos falar. Eu acho que é tão simples fazer essas coisas, eu acho que pessoas que atingiram coisas que você atingiu, que eu atingi, elas começam a colocar barreiras e gatekeepers e cascas no seu entorno de uma forma tão desnecessária. Eu sempre brinco assim, dizer um não é tão educado quanto dizer um sim. O que não é educado é você criar barreiras que não te permite dizer nem sim nem não. Sabe? Deixar lá um assistente no meio do caminho, um e-mail sem ser respondido.

Tão simples. Aquele meu gesto lá atrás, na verdade, ele cria uma relação. Porque você provavelmente falou, esse cara foi legal comigo. Você pode não gostar do meu perfil e tá tudo bem. Mas você falou, esse cara foi legal. E isso nutre uma relação que vem nutrindo ao longo desses anos. E por isso, hoje, quando você me faz um convite desse, eu falo, porra, na hora. Lógico, vamos lá. Assim como quando eu te convido para um negócio novo, você fala, lógico, vamos lá na hora. Muito bom. Muito obrigado.

Espero que você tenha curtido esse episódio. Segue lá o Diego Barreto nas redes sociais. Lá no LinkedIn, o pessoal te acha? É só achar. Diego Barreto é um cara barbudo. 935 pedidos no iFood esse ano. Será que você bate dele? Manda um comentário aqui. Quero saber o que você pede no iFood, o que você gosta mais. Quem mais você gostaria de ver aqui no podcast? Se inscreve aqui no canal pra você não perder os próximos episódios. Tá bom?

Gente, prazerzão estar com vocês aqui hoje. Até a próxima.

Valeu, Diego. Obrigado.

Valeu. Abraço. Show. Boa!


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