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Neste episódio do podcast, Anderson Soares entrevista a doutora Ingrid Teixeira, uma referência em Interação Humano-Computador (HCI) no Brasil. Ingrid compartilha sua trajetória acadêmica, que inclui duas graduações e um mestrado e doutorado em informática, além de discutir suas experiências em tecnologia e comunicação. Ela fala sobre como suas escolhas educacionais foram influenciadas por sua mãe e como seu interesse pela área de HCI se desenvolveu ao longo do tempo.
Oi oi gente, sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast. Meu nome é Anderson Soares, eu faço parte do PSTI e hoje a gente vai começar uma série de entrevistas com professores para entender de onde eles vieram, por onde eles começaram, como é que eles chegaram nessa área de atuação que eles estão atuando hoje. E hoje eu estou com uma pessoa muito especial aqui, é uma das referências em HCI no Brasil, ela carrega consigo um mestrado e um doutorado em informática pela PUC, juntamente com duas graduações, uma em comunicação social, publicidade e propaganda pela UFC e outra em telecomunicação pelo UFC. Seja muito bem-vinda, doutora Ingrid Teixeira. Muito obrigado, muito obrigado Anderson, é um prazer estar aqui com vocês, falando um pouquinho sobre a minha trajetória. Essa coisa de ser referência em HCI, há controvérsia, certo, mas estamos aí tentando ajudar essa área, enfim, e de alguma forma influenciar e inspirar aí os alunos. Obrigado pelo convite. Que isso. Então, Ingrid, eu gostaria que você começasse a falar um pouquinho de como que você começou na graduação, certo? Qual foi essa de fazer duas graduações ao mesmo tempo? É difícil responder isso aí, porque as pessoas perguntam, como foi que você conseguiu fazer duas graduações e tal? Eu diria que na época eu não pensava muito, então, ah, porque que foi que fez você fazer duas graduações? Uma resposta fácil é, sabe assim, deixar a vida me levar? Foi acontecendo, apareceu a oportunidade e eu não pensei muito, obviamente não me arrependo. Eu me arrependei demais de ter feito as duas, né, foi muito difícil, etc, etc, mas deu tudo certo. Mas, essa resposta curta, né, dando a resposta longa, eu diria que começou no Ensino Médio, né, porque eu fiz aquele Ensino Médio Técnico Integrado do IFC, que na época era o CEFET, e na época, né, eu estava na oitava série, só chegou a notícia, né, a oitava série que hoje é o nono, né, a minha mãe chegou e ela só disse assim, ó Ingrid, eu te inscrevi na prova, né, porque tu vai fazer uma seleção, tá aqui a matéria que tu tem que estudar e tal dia é a prova, minha mãe só disse isso, e ela falou uma coisa que assim, foi o que eu lembro da época, ela disse, é isso aqui, é para um colégio muito bom, que eu não vou precisar pagar mensalidade, tu vai estudar de graça, né, e aí eu lembro muito disso, tipo assim, caramba, eu vou estudar num colégio público, que é de qualidade, tipo assim, né, que na época tinha muito preconceito, estudar em escola pública, então ela disse muito, ah, você vai estudar de graça, na época eu estudava em escola particular, tá bom, aí estudei, enfim, né, passei, e na época eu fui para um curso que chamava, era eletroeletrônica, lá na época no CEFET, e esse curso de eletroeletrônica, ele tinha, né, essa carga horária técnica, que a gente fazia durante os três anos do ensino médio, e depois você fazia mais um ano de ensino técnico, né, e nesse curso especificamente de eletroeletrônica, a gente tinha a opção de escolher um entre três cursos, que era telecomunicações, eletrotécnica e informática, na época que eu entrei, no primeiro ano, a ideia era que eu fosse fazer informática, né, porque minha mãe, minha mãe na época me matriculou pensando nisso, durante um tempo, assim, depois que eu me formei, depois de muito tempo, eu fui perguntar pra minha mãe, né, ô, mãe, por que que a senhora me inscreveu em eletroeletrônica, né, nessa, porque tinha outros cursos, tinha turismo, tinha, sei lá, edificações, tinha outras áreas, né, e aí eu lembro que ela disse, hein, porque na época eu escutava muito falar que, ah, computação era o futuro, né, essas coisas de computador e tal, e te botei, né, e na época você teve dela, em casa nem computador tinha, eu nem tinha essa coisa de computação, então, hoje eu digo que foi muito, assim, uma visão da minha mãe, né, de futuro, assim, de ver que essa coisa de tecnologia estava em alta e ela percebeu isso e me colocou num curso de tecnologia. Bom, e aí fiz os três anos do ensino médio, e na época que foi pra escolher o técnico, eu já fazia UFC, daqui a pouco eu conto essa história, e aí eu acabei não fazendo informática, né, então o meu curso técnico, eu sou técnica em telecomunicações, né, não é em informática. Bom, e aí na época do, e a publicidade, como foi que apareceu, né, eu estava no terceiro ano, e antes de entrar no C7, lá vai, eu vou entrar com outra área, se você perguntasse pra Ingrid criança, adolescente, né, ah, o que é que você vai ser quando crescer, né, eu só falava que eu queria ser pediatra, então eu tinha uma vontade de ser pediatra, criança, não sei dizer porquê, né, enfim, e aí eu queria fazer medicina e tal, e eu era uma aluna muito boa, sempre, né, minha mãe falava por aí que eu ia ser médica, e não sei o que lá, e não sei o que lá, quando chegou no terceiro ano, eu comecei a trabalhar, aliás, no segundo ano, comecei a trabalhar, estagiando e tarará, eu lembro de uma reunião, assim, que eu tive com a minha mãe, né, quando eu fui falar pra ela que tinha passado, aí ela, Ingrid, e a medicina, aí eu, mãinha, eu vou pro estágio, e se eu perceber que tá difícil, eu saio, mas eu vou fazer pra medicina, isso no segundo ano. Chegou no terceiro ano, eu percebi, assim, que eu não ia passar em medicina, porque lá no C7, apesar de ter todo um, o curso ser muito bom, os professores, etc., não tinha, assim, essa preparação, sabe, pra pré-vestibular tão forte, e eu tinha certeza que eu não ia passar, e eu, na minha cabeça, era impossível eu não passar, assim, eu tinha na minha cabeça que eu tinha que fazer vestibular e passar. E aí eu abandonei completamente a ideia de fazer medicina e fui atrás de fazer uma faculdade que eu gostasse da matéria, né, pra poder passar de primeira. E aí não era matemática e nem física, que era a área de informática, né, minhas matérias favoritas no ensino médio, no colégio, né, eram história e português. Então olha que doido, né, eu fazia um curso técnico, né, tecnológico, mas eu sempre gostei muito dessa parte de humanas. E aí, enfim, tive que escolher ali um curso de humanas, entre aspas, também tive uma dificuldade pra escolher, não foi fácil, escolhi publicidade, acabei escolhendo, juro pra vocês, gente, na época a gente fazia, a gente preenchia no papel, né, o curso que a gente tinha que fazer. Eu juro pra vocês que eu fiz mamãe mandou, mamãe mandou, é, não, mamãe, é, mamãe mandou, eu escolhi, eu fiz isso aqui entre publicidade e jornalismo, e aí eu acabei ficando com publicidade. Enfim, aí entrei na faculdade, tudo bem, tudo ótimo, eu estava amando o curso, e estava ao mesmo tempo fazendo o curso técnico lá no CEFET, né, fazia a publicidade de tarde e o técnico de noite, e estagiava de manhã. Aí, é, comecei a estagiar por causa do curso técnico num lugar muito, muito legal, vocês já devem ter ouvido falar, que é o Instituto Atlântico, né, então eu fui uma das primeiras estagiárias de lá, isso, gente, eu estou falando de 2003, eu acho. Então, eu estava no começo da faculdade, da publicidade, estava no começo da faculdade quando eu comecei a estagiar no Atlântico, e eu me encantei demais, assim, demais, eu lembro que na primeira semana que eu entrei lá num laboratório, e eu ainda trabalhei na parte de hardware de lá, né, o primeiro projeto de hardware eu era estagiária de lá, que era um projeto com a Intelbras, e aí eu fiquei muito encantada, assim, trabalhando com os engenheiros, assim, eu me sentia demais, assim, meu Deus, eu sou a única mulher, eu sou a mais nova, eu me sentia, assim, dentro de um castelo, sabe, amava muito. E aí, naquele mês, no comecinho do estágio, eu falei, eu tenho que continuar nessa área, eu não posso sair. E na época da publicidade, eu estava amando a faculdade, e na minha cabeça era só assim, vou terminar o técnico e não quero mais saber de computação, não quero mais saber de programação, não quero mais saber de nada de tecnologia, vou estudar só humanas, né. E aí eu fui trabalhar no Atlântico e acabei mudando toda a minha ideia, fiz vestibular de novo e entrei na Telemática, lá no CERFET, que é um curso superior tecnológico, né. Pronto, e aí fiquei nas duas, hoje, se eu não me engano, não pode mais, mas na época, enfim, eu realmente levei as duas em paralelo, a diferença de uma e outra é só um semestre, né, eu entrei num semestre na UFC e no semestre seguinte eu entrei na UFCE. Como a UFCE era mais curto, que era três anos e meio, eu acabei me formando quase igual, foi um semestre de diferença entre os dois, então foi isso, né, me formei nas duas, e assim, por mais que eu amasse a faculdade até hoje, né, aprendi muita coisa na publicidade e tal, eu nunca atuei nessa área, né, até na época do estágio eu acabei fazendo um projeto de pesquisa com uma professora, então, que contou como estágio, então eu nem cheguei a, nem estágio eu fiz em agências de publicidade nem nada, né, eu nunca me achei muito criativa pra essa parte, né, só vocês compararem, por exemplo, eu e o professor João Vilnei, né, a gente estudou junto, nós éramos colegas de sala, então olha como é muito diferente, ao mesmo tempo eu estudei junto com o professor Cristiano Bacelar, que foi coordenador do curso de EC, então imagina que eu estudei as mesmas coisas que o Cristiano estudou na telemática e estudei as mesmas coisas que o João estudou na graduação, né, então daí vocês tiram que é um perfil bem misturado, né, enfim, e aí desde sempre, eu sempre trabalhei, né, durante toda a graduação eu trabalhei, não passei 10 minutos sem trabalhar, e sempre na área técnica, fiz um monte de coisa, depois se for o caso eu posso falar, e aí na época que eu me formei e fiquei, e agora o que é que eu faço, né, eu queria muito fazer um mestrado, ah, mas por que fazer mestrado, tu queria ser professora, tu queria ser pesquisadora, gente, nada disso, eu simplesmente achava que eu não deveria parar de estudar na graduação, eu não sei explicar, ninguém nunca chegou e me explicou o que era um mestrado, nada, nada, eu nem tinha artigos publicados, mentira, eu tinha dois, mas assim, eu não entendi muito bem essa coisa de pós, mas eu, tipo assim, não vou parar de estudar, como assim vou parar de estudar, me forme e para de estudar, eu não sei, acho que era uma coisa de querer estudar, e aí na época, para escolher para qual área eu ia seguir, eu fui extremamente pragmática, sabe, assim, aquela coisa de tipo, o que é que eu vou escolher, né, e aí onde é que tá o pragmatismo aí, em dois fatores, primeiro, eu não tinha experiência nenhuma com publicidade, então eu já sentia que a minha experiência profissional era realmente de TI, de computação, etc, então eu via que eu, naturalmente, estava sendo levada para esse lado, e outra coisa, a seleção, né, da computação, para mim era mais fácil do que comparado com a da comunicação social. Você tinha experiência na área, né? E também porque na computação a gente tem o Pós-Comp, aproveitar aqui até para, posso até falar dele, né, que é uma seleção unificada, né, que é como se fosse uma prova do Enem, né, assim, você faz a prova do Pós-Comp e você pode usar aquela nota do Pós-Comp em vários programas de pós do Brasil, e não tem nada parecido com isso em outras áreas, na publicidade, na comunicação social não tem nada disso, se eu quisesse fazer um mestrado na comunicação, eu teria que viajar, porque a área que eu queria não tinha no Ceará, provavelmente eu ia para Bahia, não sei, eu cheguei a pesquisar, né, então o processo era muito longo, eu tinha que ir para o local para fazer uma prova, tinha que fazer uma entrevista, tinha que fazer, tinha um projeto, enfim, muito burocrático, e aí eu fui ali, nem sabendo a coisa, vou fazer para a computação mesmo, e deu certo, né? É assim, aí eu fui para a PUC, na época da PUC, eu decidi, eu escolhi a PUC pensando em trabalhar com uma área que eu achava que juntava minhas duas formações, que por mais que vocês pensem que seja IHC, que realmente junta, não era, era a área de televisão digital interativa, né, que na época, isso em 2007, estava muito em alta, né, TV digital interativa, o Brasil tinha um consórcio nacional de universidades e foi muito pioneiro, não, mas assim, liderou um processo grande aí de digitalização da TV brasileira e eu já tinha feito algumas pesquisas em relação a isso, até para o meu TCC na graduação, e um dos nomes mais importantes da TV digital do Brasil estava lá na PUC, que foi o professor Luiz Fernando Soares, ele até já faleceu, e na época eu fui para a PUC na ilusão de ser a orientanda dele, desse cara, do Luiz Fernando Soares, né, ele foi um dos autores do Ginga, que é o middler, né, de TV digital do Brasil e tal, gente, assim, eu até já me encontrei com ele e tudo, mas assim, ele realmente, literalmente, faleceu sem saber da minha existência, né, eu fui para a PUC pensando em trabalhar com ele, eu me lembro que eu me arrepiei quando eu vi o nome dele na porta, assim, e eu nunca fiz uma disciplina com ele, ele nunca soube que eu tinha ido para a PUC por causa dele, por quê? Porque no meio do caminho apareceu a minha professora, a minha orientadora, que é a professora Clarice, né, eu fiz uma disciplina de IHC, interação humano-computador, no mestrado, enfim, aí eu acabei, ela me chamou para ser orientanda dela e acabei ficando, né, então foi engraçado, porque o Luiz Fernando fez eu ir para a PUC, mas enfim, a gente acabou não trabalhando junto. E pronto, e aí quando eu aprendi, e curiosamente, assim, eu não sabia nada de IHC, até fazer a disciplina no mestrado, não tive nenhum contato na graduação, não sabia nem que existia, assim, o mais perto de IHC que eu sabia era, sei lá, nem sei, teste alguma coisa de teste, que eu trabalhava com teste, né, que eu era QA, e talvez requisito, alguma coisa assim, mas realmente não conhecia a área. Dentro da parte de GS, né? Isso. Quando eu comecei a ver as aulas, né, era uma área que tinha essa coisa de humanas, então eu me apaixonei logo, muito rapidamente, e mais especificamente em relação à engenharia semiótica, que é uma teoria que a gente aprende em IHC, que foca em comunicação, e gente, me achei, é tecnologia e é comunicação, né, então, enfim, tô nessa até hoje, acho que eu fui bem, tive muita sorte de ter sido levada por esses caminhos e eu achei uma área que eu consiga, que eu consigo usar os meus aprendizados das duas graduações, né. Deixa eu te perguntar, quando você saiu da graduação, já sabia que tu queria fazer mestrado, certo? Mas assim, as opções eram amplas, né, tem a Unicamp, que é de Campinas, tem a USP, tem a PUC. E assim, além do professor Luiz, o que é que te levou a ir pra PUC? Na época, na verdade eu falei da PUC, mas na época eu tentei pra muitos lugares, né, se eu não me engano, eu tentei pra seis universidades, certo? Foi a PUC, Unicamp, eu tentei pra Unicamp também, Unicamp, UFMG, UFPE, USP São Carlos e Federal de São Carlos. Foram essas seis. São todas as notas 7, né? E não sei se todas são, mas na época que eu tentei, as únicas que eram 7 eram a PUC e a UFRJ. As únicas. Sério? Depois foi que mudou hoje a UFPE, a Unicamp, a UFMG são 7, né, mas isso é coisa mais recente. Na época, só essas duas. E eu nem tentei pra UFRJ, lá nem tem muita tradição de IHC não, apesar de ter um programa de POS muito importante em computação, né. E aí dessas seis, eu só não passei na Unicamp. Não passei na Unicamp, fiquei, meu Deus, né, tipo, a Unicamp não quis saber de mim, né. Como que é esse processo seletivo da Unicamp? Era diferente dos outros? Na época foi só, assim, eu não me lembro direito, assim, porque alguns pediam, todos eles, exceto a UFPE, pediam PECOMP, pediam POSCOMP, PECOMP, pediam POSCOMP, todos eles aceitavam o POSCOMP, então já foi bom, porque eu tinha feito o POSCOMP na época. Alguns pediam carta de recomendação e foi um problema, porque tu imagina como é que eu vou pedir carta de recomendação pra seis universidades. Então eu fazia meio que uma combinação, né, eu pegava um professor e pedia duas cartas pra ele, aí pegava outro e pedia duas, saia pedindo carta pra todo mundo, e nessa época a gente mandava pelos correios, não era nada eletrônico, eu gastei um dinheiro danado com o SEDEX, porque tinha que mandar tudo pro SEDEX, enfim, aí mandei pra esses, eu não vou lembrar, assim, o da Unicamp como foi, não faço a menor ideia, eu sei que eu não passei. Acho que só o da UFPE, por não ter POSCOMP, eles pediam tipo uma, a gente tinha que escolher o projeto que a gente queria entrar, e tinha tipo uma cartinha que você tinha que escrever ali sobre a sua... Mas eu também entrei na UFPE, inclusive fiquei muito na dúvida, né, foi engraçado porque ia saindo os resultados e eu ia ficar, não acredito, eu passei, vou pra lá, aí daqui a pouco, outra semana, sai o outro, meu Deus, eu não acredito, agora eu vou pra esse, né, e a PUC foi a última, o último resultado foi o da PUC, né, e eu cheguei a confirmar, eu cheguei a confirmar a matrícula na Federal de São Carlos, eu cheguei a confirmar, falei com o professor de lá, e lá também tinha um grupo forte em TV digital, na época eu tava pensando muito em TV digital, né, aí pensei em ir pra lá, e aí pronto, aí quando saiu o resultado da PUC, eu ainda tinha, eu tirei o terceiro lugar na seleção, e aí eu ainda ganhei um auxílio moradia, que era uma coisa à parte, porque lá eles estavam com um programa, um projeto, sei lá, que eles davam esse auxílio moradia pra quem não era do Rio, e eu tirei o terceiro lugar, os primeiros colocados que não eram do Rio, né, aí, como eu não era, então assim, eu passei o mestrado inteiro ganhando o mesmo valor de uma bolsa de doutorado, porque eu ganhava a bolsa do mestrado mais o auxílio moradia, né, era tipo, enfim, eu sei que somando dava exatamente a bolsa de doutorado, aí pronto, aí quando eu passei na PUC, fiquei assim, muito feliz, né, já tive essa boa colocação, ganhei o auxílio, e aí pronto, fui pra lá, fui pro Rio, quis ficar lá. A PUC, diferente da USP, ela não tem esses apoios, né, de programas pra estudantes, né, não tem restaurante universitário? Lá tem RU, inclusive assim, na época que eu me inscrevia, não conhecia muito e tal, eu recebi muito aconselhamento, entre aspas, de um amigo meu, que na época estava na FRJ fazendo mestrado lá, ele que me explicou esse negócio de nota, né, ele me explicou, aí ele falou, inclusive foi ele que sugeriu eu fazer a PUC, eu falei, como é que eu vou fazer a PUC se eu não tenho dinheiro pra pagar mensalidade? Ah, porque era particular, né, ele, não, não é assim, não, tem bolsa, tem isenção, eu, sério? E aí é tanto que na época, quando saiu o resultado, eu mandei um e-mail pra coordenação na época da PUC, perguntando, eu vou ter bolsa? E quem respondeu foi a Clarice, porque na época a Clarice era coordenadora da POES lá, mas eu nem sabia quem era a Clarice na história, né, que foi a minha orientadora, e eu lembro demais do e-mail, ela respondendo, não, você não só ganhou a bolsa, como você também ganhou o auxílio moradia, foi nesse e-mail que eu fiquei sabendo, né. Então, no caso da PUC, como era particular, muitos alunos têm dúvida, gente, eu nunca paguei um centavo na PUC, nada, nada, nada, nada, não paguei mensalidade, nada, e eu ainda recebia a bolsa de fomento, que eles chamam, né, a bolsa que é um saco, uma bolsa, né, que vocês sabem, a bolsa de mestrado, doutorado. Na época, como eu tinha esse auxílio, que era da PUC, a minha bolsa do mestrado era uma bolsa interna da PUC, não era nem CAPS, nem CNPQ, era uma bolsa da própria PUC, né, que eu recebia. Aí, no doutorado, foi que eu recebi uma bolsa do CNPQ, né, que aí era, enfim, uma agência geral, né, não era da própria PUC. Aí tu falou do RU, lá tem um RU, que inclusive é muito bom, e na época, assim, não é tipo um I10, né, não é, porque não tem esses incentivos do... não é do governo, é particular. Mas é um RU, como qualquer outro, eu comia muito lá, no bandejão, que eles chamam, né. Outra coisa que foi muito bom lá na época da PUC, porque eu costumo dizer que era uma época de vacas gordas, né, então, como era um programa nota 7, existia muita verba pra evento, né, então eu participei de muitos eventos, fui a vários congressos, inclusive eu fui três vezes pra fora do Brasil pra apresentar trabalhos, e todos esses três eu tive algum tipo de apoio da PUC, ou foi a passagem, ou foi a inscrição, ou foi diária, né. Então, essa parte aí também era muito boa, não sei como é que tá hoje, né, enfim, os últimos anos aí tava meio difícil essa parte de financiamento da pesquisa, que a gente pensa que não afeta particular, mas afeta, porque tem muito dinheiro do governo mesmo na particular, entendeu? Incentivos, né. Isso. E quanto ao teu título, né, do teu mestrado, do teu doutorado, como é que tu escolheu essa área e por quê? O do mestrado, lá na PUC, a gente não escolhe o orientador, assim como aqui no PECOMP também, a gente entra sem saber quem é o orientador. Sério? Tem alguns programas que você vai pra pessoa, né. Lá no mestrado a gente não escolhe o orientador, e aí no primeiro semestre eles têm o que eles chamam lá de uma disciplina de seminários, enfim, aí todos os professores se apresentam, e é muito engraçado porque a gente sente uma certa disputa, assim, tipo os professores entre aspas brigam pelos melhores alunos e tal, e aí, isso no primeiro semestre, né, aí logo no primeiro semestre do mestrado eu já estava fazendo essa disciplina com a Clarice, inclusive eu fiquei, eu teve um, hoje não vou dizer disputa, mas assim, eu fiquei em dúvida entre dois professores, né, que era a Clarice e outro professor lá, o Daniel Schwab, que ele era da mesma área do Luiz Fernando Soares, né, da parte de TV Digital. E aí, enfim, fiquei muito na dúvida, mas na época, enfim, acabei escolhendo a Clarice, e aí quando ela foi me falar do, aí eu já sabia, né, que seria alguma coisa com IHC, provavelmente com Engenharia Semiótica, porque era uma matéria que eu estava aprendendo naquele momento e já estava bastante interessada, mas aí a Clarice, ela fez uma coisa que é muito comum a gente fazer quando a gente pega alunos, né, que é sugerir um tema, né, ela falou, ó, tem uma aluna aqui que está se formando, que está trabalhando com essa parte de acessibilidade e tarará, ela sugeriu, e aí, gente, se você for ver o meu mestrado, a minha pesquisa de mestrado, eu trabalhei em cima de uma ferramenta que foi uma continuidade de uma outra pesquisa de mestrado, né, de uma outra aluna da Clarice, entendeu? Então eu meio que não escolhi não, ela sugeriu e eu, na hora, sabia nem o que era, na hora, pode deixar. E foi muito bom, porque no mestrado mesmo eu trabalhei com coisas incríveis, como a própria ideia de acessibilidade, né, eu tive que fazer umas disciplinas, inclusive na Unirio, que na PUC não tinha muito, fiz uma disciplina na Unirio sobre acessibilidade, fiz um bocado de pesquisa. Eu trabalhei, inclusive, com implementação, né, então as pessoas acham que IHC a gente não programa, mas a minha pesquisa era em cima de uma ferramenta, então eu tive que desenvolver em Javascript, a gente fez lá um, eu fiz um plugin para o Firefox, uma extensão, e eu fiz tudo, assim, peguei um pouco o que a menina tinha feito, mas a minha parte que era nova, eu fiz toda sozinha, a minha parte, né, e enfim, muitos desafios, foi incrível, assim, foi incrível. E quanto à questão do doutorado, ele não é uma continuação direta do mestrado, né? Ah, eu do doutorado, é, o doutorado, deixa eu ver se eu consigo resumir aqui mais ou menos o tema da minha pesquisa, para ver se ajuda. Na época do doutorado, a gente, do mestrado, a gente trabalhou numa ferramenta que na época eu chamava de WNH, que é o Web Navigation Helper, o nomezinho da extensão, e essa ferramenta, ela servia para ajudar pessoas que tivessem dificuldade de navegar na internet, né, então imagina, por exemplo, uma pessoa que é cega e que para realizar uma determinada tarefa na internet, ela precisa passar por cinco sites e preencher e clicar em muitos lugares, né? Então essa ferramenta que eu criei, junto com a outra menina, a ideia era a gente meio que encurtar esses caminhos, né, para deixar esse acesso mais fácil, para pensar no aspecto da acessibilidade. Em 2009, né? Eu entrei no mestrado em 2009 e defendi 2011, terminei o mestrado em 2011, dois anos, né? Então a princípio era acessibilidade, vamos fazer uma ferramenta para ajudar as pessoas a navegar na internet. E o que era que tinha de interessante também? Quem criava, quem usava a ferramenta, eram pessoas que obviamente não tinham nenhum tipo de deficiência e que conseguiam ajudar o outro. Então tinha uma questão de voluntariado envolvido, tipo assim, ah, eu vou ajudar as pessoas cegas a, por exemplo, fazer a consulta do CPF, do cadastro do CPF, vou ajudar as pessoas. Pronto, um exemplo bem bom, agora recente, na época da pandemia, que teve aquele cadastro da vacinação, o WH seria perfeito para aquilo ali, então, tipo assim, eu poderia criar um script, que a gente chamava de script, para ajudar as pessoas a fazerem o cadastro. E aí, ao invés de eu só largar o site na cara da pessoa e a pessoa ter que preencher, essa ferramenta permitia que a gente explicasse, então ó, aqui você vai dizer seu nome, aqui você vai dizer tal coisa, aqui você precisa escolher tal coisa, se você não souber, clique aqui que eu vou lhe explicar como é que faz, então, a gente criava um roteiro todo customizado para a necessidade daquela pessoa, isso tudo no mestrado, pronto, aí defendia o mestrado, perfeito, maravilhoso. Na verdade, ainda no mestrado a gente percebeu que essa ferramenta tinha o potencial de não só ajudar em termos de acessibilidade, mas de permitir que pessoas se comunicassem usando essa ferramenta. É tanto que ela mudou de nome, ela deixou de ser WNH para ser sidetalk, que significa conversa paralela, então assim, a ideia era que você, por exemplo, não é nem ajudasse, mas conversasse com as pessoas sobre coisas que tem na internet, mas através de um script. Enfim, aí tem toda a parte também de end-user development, que é um conceito que a gente usava também, que a gente estudou no doutorado, mais forte, que é você permitir que pessoas que não são profissionais criem programas, criem suas tecnologias, então, para você criar o que eu chamava, na época eu chamava de diálogo de mediação, para você criar um diálogo de mediação usando essa ferramenta, o sidetalk, você tinha que meio que programar ali a sequência das conversas, as opções que iam aparecer para aquela pessoa, então tem um aspecto ali de pensamento computacional muito forte, que a ferramenta tinha que meio que ó, eu não vou exigir, mas a pessoa vai ter que pensar aqui no que ela vai ter que fazer, enfim, e aí a gente acabou levando isso para o doutorado, então no doutorado foi sim uma continuação do mestrado, mas foi uma, a coisa ficou maior, deixou de ser só acessibilidade para ser comunicação, enfim, aí eu acabei trabalhando, é muito mais tempo, eu fiz vários estudos empíricos, a gente fez observações e tal, eu mexi muito na ferramenta, continuei trabalhando com programação, desenvolvendo a ferramenta, e aí eu trouxe um outro conceito que na época do mestrado não apareceu, que é o conceito de autoexpressão, envolvendo tecnologias, que basicamente significa o que? Quando a gente permite que alguém se comunique através da tecnologia, a pessoa vai deixar traços da personalidade dela naquilo que ela está construindo, e eu falo muito sobre isso no doutorado. Então, por exemplo, as pessoas que criavam os diálogos de mediação, como elas não eram profissionais, elas não eram programadoras profissionais, engenheiros de software, elas acabavam ficando muito mais à vontade para mostrar quem elas são, do que, por exemplo, a gente na faculdade aprende, na verdade a gente não é nem estimulado a isso, a gente faz lá um programa, a gente tem que seguir padrões e o autor, que é o designer, ele some. E aí quando a gente pega um usuário final que não tem esse treinamento, ele acaba se revelando muito mais. E aí a minha pesquisa de doutorado fala disso, e é um tema que eu amo, eu ainda pesquiso ainda hoje sobre isso, ainda é um tema que não é muito abordado, eu diria que os poucos trabalhos que apareceram depois dos meus acabam me citando, porque foi uma pesquisa muito diferente, que foca nessa coisa da linguagem, da computação enquanto linguagem, você programa para se comunicar, você não programa para resolver problema. Então por exemplo, quando a gente pensa em arte, arte digital interativa, que também é outro tema que me interessa, que eu tenho entrado, até com o professor João Ville-Ney, ninguém faz arte necessariamente para resolver um problema, você está querendo se expressar, e aí é um exemplo que a gente usa também esse conceito da auto-expressão. Enfim, gente, acho que eu dei palestra aqui, desculpa, me prolonguei demais. Mas esse é o objetivo mesmo, entender como é que foi essa descoberta, e por onde foi os teus caminhos até chegar na área que você trabalha hoje? Foi dois anos de mestrado e quatro de doutorado, né? O pessoal fala muito que doutorado é mais tempo para fazer quase a mesma coisa, claro que é bem diferente, mas quase a mesma coisa do mestrado. Mas e aí, o que foi melhor para ti, o mestrado ou o doutorado, o que foi mais complicado? Porque assim, foi mais tempo do doutorado, né? Claro, claro. Bom, eu diria que é o seguinte, se alguém vier me perguntar, ah professora, sei lá, alguém vier me pedir um conselho, ah eu faço o mestrado, a minha resposta imediata é faça. Mas o mestrado, gente, é uma delícia o mestrado, porque assim, você tem ali dois anos para se aprofundar num tema que, teoricamente, você escolhe, e você vai fazer todo o estudo científico da coisa, você vai se aprofundar naquele tema que você gosta, e assim, acaba rápido. Dois anos, né? Dois anos passa muito rápido, muitas vezes, por exemplo, o número de disciplinas é muito menos do que uma graduação, muito menos, né? Na graduação, a gente faz 5 ou 6 por semestre, um exemplo. No mestrado, você faz 2 ou 3 por semestre. Claro que assim, a profundidade das discussões, dos estudos, dos trabalhos são muito diferentes. Então, por exemplo, você faz um TCC, leva 4 anos para fazer um TCC. No mestrado, é muito comum você fazer 2 ou 3 por semestre, então, cada disciplina pode pedir um TCC, né? Claro que, enfim, não acontece muito, mas acontece, já aconteceu de eu fazer trabalhos de 90, 80 páginas para uma disciplina, entendeu? Então, o mestrado é muito bom, então, o mestrado, ele não é só, eu hoje enxergo claramente que ele não é só para quem quer ser professor, para quem quer ser pesquisador, mesmo para quem, ah, vê ali, né, o mercado como uma coisa mais forte, ah, eu quero muito trabalhar nas empresas e tudo mais, eu não tenho dúvida nenhuma que o mestrado acrescenta demais, demais, por conta de todas as habilidades que a gente desenvolve no mestrado. Toda coisa do pensamento científico, da questão de você planejar uma metodologia, tudo isso é muito praticado, é muito reforçado no mestrado, além de ser rapidinho ali, dois anos de um instante passa. Agora, o doutorado, aí, o doutorado, você precisa pensar um pouco melhor, né? Ah, professora, é ruim, gente, eu amei meu doutorado, fui muito feliz, os anos que eu fiquei no Rio, assim, eu não tive nenhum problema com a minha orientadora, ainda tem alguns, né? Porque, imagina, eu fiz o mestrado e doutorado com a mesma pessoa, então, tem que gostar muito, tem que se dar muito bem com a pessoa. São seis anos, né? São seis anos, e eu emendei, para você ter uma ideia, eu me inscrevi no doutorado antes de defender, então, eu tive que fazer o projeto ali correndo, enquanto eu estava escrevendo a dissertação, sabe, foi bem corrido, mas, então, eu não tive nem férias, eu não tive, assim, uma semana de férias, se eu não me engano, já tinha começado as aulas do doutorado, quando eu defendi, tipo, fazia uma semana que tinha começado as aulas, então, eu emendei, né? Então, ainda tem isso, eu já vi, por exemplo, pessoas que querem continuar com a pesquisa e tal, mas não aguentam mais o orientador, um exemplo, ou aquele tema, não tem problema, muda, né? Vai no doutorado, no doutorado você muda de tema, muda de orientador, pode mudar até de faculdade, né? Que é um benefício também, você variar um pouco, só que eu, no mestrado, no primeiro semestre do mestrado, eu já tinha certeza que eu ia fazer o doutorado, gente, eu não tinha dúvida nenhuma, porque eu estava tão encantada com aquele mundo da pesquisa, eu estava na PUC, e eu percebi, assim, o peso dos professores que eu tinha, sabe? Pessoas que escreveram livros, que hoje é livro didático, de disciplinas, que a gente vê... Livro-base mesmo, né? Livro-base da disciplina, assim, a gente conhece em HC, por exemplo, a Simone, a Simone eu me cruzava com ela, eu tive aula com ela, né? Ela é minha irmã de orientação, né? Ela foi orientando da Clarice, mas tem vários outros lá na PUC, né? O Bruno Feijó, que tem livros sobre jogos, né? O Renato Cerqueira, se eu não me engano, ele também tem uns livros aí. Tem um outro lá, que eu não lembro o nome, que era de banco de dados, tem um pessoal muito forte de engenharia de software, né? E aí, a cada apresentação que os professores faziam, e eles mostravam o que eles eram, eu ficava muito chocada, eu ficava muito chocada, eu falei, meu Deus, eu não posso sair daqui, né? É assim, sabe aquela... É quase aquela coisa, a menina que saiu do sertão, que nem foi, né? Eu morava em Fortaleza, mas era quase isso. Então, um exemplo aqui, o professor que eu falei, o Daniel Schwab, que eu fiz a matéria com ele no primeiro semestre, ele contou, gente, ele estava na apresentação do Tim Berners-Lee, se eu não me engano, foi em 91, que ele apresentou a web, a web não existia antes desse evento, o WWW, a web. Então, no evento que ele apresentou isso lá, o Schwab estava lá e o Schwab contou lá que ele foi ajudar ele a instalar um negócio na projeção, não sei o quê. Então, imagina, são pessoas que guardam a história da computação, assim, e aí eu já tinha certeza que eu queria fazer o doutorado, sabe? Eu não tive dúvida nenhuma. Agora, realmente, o doutorado é longo, são quatro anos, né? Tem gente que leva mais tempo, inclusive, porque é completamente compreensível. Eu tenho a impressão que o doutorado, ele meio que pausa a sua vida, né? Então, por exemplo, na época eu já era casada, eu casei no meio do meu mestrado, e, tipo assim, eu não tinha como eu planejar comprar uma casa, não tinha como eu planejar, sabe? Ter filho, porque fica uma coisa meio pausada a vida, assim, a sensação que eu tinha era que o doutorado, eu estava 100% no doutorado, eu não podia pensar em mais nada na minha vida. E isso chega uma hora que incomoda um pouco, sabe? Incomoda. Eu falei, gente, eu estou há quatro anos aqui, eu não tenho uma profissão, dá uma agonia um pouco, assim. Mas, enfim, graças a Deus eu passei no concurso, deu tudo certo, mas dá um pouco essa agonia, sabe? É complicado, né? A gente consegue começar a faculdade até terminar o doutorado, é muito tempo. É um bocado de tempo, é um bocado de tempo. E esse pessoal que quer pular o mestrado e ir direto para o doutorado? Porque, assim, a gente sabe que o mestrado, tudo bem, são dois anos e isso passa rápido, mas o doutorado é mais embaixo, né? É mais complicado. Ah, eu não gosto muito dessa ideia, não, sabe? Assim, tem gente que faz, eu entendo, né? Tem toda uma questão da pessoa ser muito competente, ou então nem só competente, mas, por exemplo, pode ser que essa pessoa tenha trabalhado, pesquisa muito forte na graduação. E aí já tenha antecipado um pouco essa experiência, né? E, tipo assim, se ache segura para ir para o doutorado. Eu acho que não tem problema, acho que não é uma coisa problemática. Mas, eu não sei, eu acho que pula etapas, né? Eu tenho a impressão que você está pulando uma etapa, mas eu não tenho uma opinião muito formada sobre isso, não. Assim, acho que se a pessoa acha que tem condições e ela tem o apoio necessário, né? Eu acho que ok. Agora, tem que lembrar que, assim, a pessoa que termina o doutorado ali, né? E tem que fazer um mestrado, ela não tem ainda a vivência. A base, né? É, até se pega a vivência mesmo de vida, talvez, né? Eu acho que perde um pouco, mas acho que o ser humano se adapta, acho que não é um grande problema, não. Eu não critico vehementemente, mas eu com certeza não faria, assim. Eu acho que vale muito a pena você passar pelo mestrado, né? E aprender tudo que o mestrado tem a ensinar, então, por exemplo, no meu caso, a gente brincava lá na PUC que, tipo assim, amigos de PAA são amigos verdadeiros, assim, né? PAA, que é uma matéria, que é Projeto Análise de Algoritmos, que a gente faz lá na PUC, que é uma disciplina, que é muito difícil, enfim. E muita gente fica, tipo, deixa de terminar o mestrado por conta dessa disciplina, e aí você faz amizade com as pessoas ali, sabe? Quem estuda com você, PAA, é aquela pessoa ali, e a gente cria um vínculo, né? Que no doutorado, carendo ou não, o doutorado, ele é mais solitário. É muito só você e seu orientador, né? E muitas vezes é muito só você. O mestrado ainda tem uma coisinha de turma, né? De você ficar ali trocando as inseguranças, as agonias com a disciplina, falar mal do professor e com alguém, né? Que não seja só, sei lá, o seu marido, o seu namorado, né? Então, o mestrado, eu acho que ainda guarda um pouco mais essa questão da socialização, muito mais que o doutorado. O doutorado é realmente mais solitário. Claro que depende da área, sei lá, se você participa de um laboratório e tem mais gente, mas em geral, é uma coisa muito mais você mesmo e o seu orientador. E ainda tem isso, né? Que tu casou no meio do teu mestrado. Exatamente. Foi puxado ou não? Conciliar essa vida, né? Ai, deixa eu contar um pouquinho da minha vida, né? Bom, como é que foi, né? Quando eu fui pro Rio, eu fui em 2009, né? Fui ali em fevereiro de 2009, meu, pô, vocês não vão acreditar, mas fazia três meses que eu tava namorando com o meu atual marido, né? Então, a gente, foi muito engraçado, eu lembro que eu contei que a gente, que eu mandava as coisas pelos correios. Então, na época, esse meu namorado, ele me ajudou muito, a gente ia, então, ele já sabia que eu ia fazer pós, né, mestrado e tal. Passei no mestrado, fui embora, né, pro Rio, namorando, a gente não terminou o namoro nem nada. Recapitulando, foram três meses de namoro, eu tava muito recente ainda do namoro, né? E aí, quando terminou o primeiro semestre do mestrado, eu me lembro muito dessa conversa, conversando com o meu namorado na época, né, o Emmanuel, aí eu falei assim, olha, eu vou fazer doutorado, vou fazer doutorado, eu já sei que eu vou fazer doutorado, né? E aí, foi muito engraçado, a gente conversando, que ele disse assim, olha, dois anos dá pra esperar, mas seis, não, porque seria um seis, né? Aí, o caramba, é mesmo, né? Aí, ele, não, bora casar, bora casar, e foi assim, sabe, tipo, ele deu a ideia, assim, como assim tá doido? Tipo assim, fazia, na época, né, sei lá, oito meses que a gente namorava. Enfim, então, no primeiro ano do mestrado, a gente já ficou noivo, né? E aí, eu vim pra Fortaleza, tipo, férias, vim num feriado longo, mas ainda fiquei assim um ano meio que namorou na distância, né? E aí, no final do ano, de 2009, eu mandei um e-mail pra Cláudia, se eu já tava de férias em Fortaleza, né? Foi muito engraçado, que eu mandei um e-mail pra ela, perguntando como é que ia ser as atividades de janeiro e tal, porque ela já tinha me dito que aluno de mestrado não tem férias. E realmente, gente, é sério, eu fiz um estudo em Fortaleza, nas minhas férias, eu conduzi um estudo da minha dissertação, né? Foi o primeiro estudo que eu fiz, foi nas minhas férias. E aí, eu mandei esse e-mail pra ela, perguntando sobre essa agenda, né, dela e tarará, porque eu queria marcar minha data do casamento. E eu me lembro dela respondendo, dizendo assim, gente, essa foi a consulta mais estranha que eu já vi na minha vida, tipo assim, perguntar pra orientadora qual é o dia que a pessoa tem que casar. Mas foi praticamente isso, eu falei, olha aí, você acha melhor eu casar no dia seis, sete ou oito, assim, sabe? Ela riu, então tu fica à vontade, né, enfim. E aí, beleza, a gente casou, tipo, o meu casamento foi no dia seis de janeiro de 2010, né? Então foi com um ano e poucos meses de namoro, né? Bem na metade do mestrado. É, no mês, exatamente, eu tinha terminado o primeiro ano do mestrado, né? E aí, gente, aquelas coisas de Deus, quem tem fé e quem não tem, ou foi sorte ou foi Deus, né? Não sei. Mas olha o que aconteceu. A empresa que o meu marido trabalhava, que foi a mesma empresa que a gente se conheceu, eu trabalhava nessa empresa antes de ir pro Rio, abriu um escritório no Rio, em 2010, né? E aí, assim, foi realmente, assim, coincidência, porque foi um contrato que eles, né, eles trabalhavam com contratos na época, um contrato que eles conseguiram no Rio e aí tinha que ter a empresa no Rio. E aí, tipo, o Emanuel ficou, ó, né? Posso ir. Minha esposa tá lá e tal, a gente já tava casado, né? E ele já tinha uma experiência com gestão de projetos e tudo mais. E deu certo. Deu certo. Ele foi o cara que implantou a empresa no Rio, né? E pronto, aí foi muito bom, né? Ele conseguiu ir. Ele foi, o caso é, a gente casou em janeiro, em abril ele foi pro Rio. Ah, mas tem um detalhe importante. O meu marido na época tinha uma filha, quer dizer, ainda tem, né, a minha enteada, hoje em dia, né? Ela tem 20 anos já, é uma adulta, mas na época a Luna tinha, sei lá, 7 anos e ainda tinha isso, né? E morava com ele. Aí eu, não, gente, pelo amor de Deus, a Luna é minha filha também e vai dar tudo certo. Então, além disso, eu ainda ganhei, né, uma filha, uma filha e ela, ela, assim, foi minha filha. Então, se você perguntar, ela sabe que eu criei ela, né, durante o mestrado, né? Então, ela, na verdade, ela só foi pro Rio em 2011, ela ainda passou um tempo aqui com a avó, porque a gente demorou muito a montar o apartamento, gente, imagina, né? Tudo muito caro, a gente passou muito tempo sem ter os móveis da casa e tal. Aí quando a gente conseguiu montar tudo, assim, mais ou menos montar o quarto dela, ela foi, né? Então, ela ainda passou alguns meses em Fortaleza morando com a avó. Pronto, aí ela foi e aí ficou essa nossa vida, né? O Emanuel trabalhando no Rio, eu fazendo o mestrado e a Luna estudando lá no Rio, de boa. Ficamos até o final do meu, até quase o final do meu doutorado, que foi quando eu passei no concurso pra cá, né? Eu passei no concurso em 2014, eu tava no último ano do doutorado, eu defendi o doutorado em 2015. Então, foi tudo emendado, né, foi o mestrado, o doutorado e o concurso. Foi, foi. É, eu me lembro até, assim, quando eu falei, vou ter minhas primeiras férias, né, tipo férias, assim, tipo, oficiais, 30 dias de férias, nem foi férias porque eu tive que tirar as férias pra poder escrever a tese, aí só mesmo as minhas primeiras férias depois de defender o doutorado, ou seja, depois de 2015 foi que eu pude dizer, estou de férias. Com os alunos, eu fiz. É, exatamente. Beleza, passamos pela graduação, mestrado, doutorado, concurso e agora, quais são os planos futuros? Bom, eu terminei o doutorado em 2015, né, com a sensação de que ainda tenho muito pra pesquisar, muito pra fazer, né, hoje aqui na UFC eu tô no PECOMP, né, sou professora da pós, tenho alunos de mestrado, gosto muito dessa parte de pesquisa, né, gosto muito de dar aula, sabe, eu adoro, assim, tem, às vezes acontece, né, das pessoas meio que, vamos dizer assim, focarem mais na pesquisa e deixarem um pouco de lado a atividade da docência, mas assim, a universidade é um lugar de ensino superior, a gente tá aqui pra ensinar, né, então eu gosto muito, né, do relacionamento com os alunos, né, gosto muito de estar em sala de aula. Então, em termos de pesquisa, eu ainda penso em fazer um pós-doc, né, no meio do caminho eu tive um filho, né, hoje o meu filho tem 5 anos, então eu tava muito naquela, ah, vou deixar passar um tempo, ele já tem 5 anos, acho que já tá na época, eu tenho vontade de fazer um pós-doc fora do país, não porque, ah, é só porque eu nunca morei fora, eu queria muito ter a experiência de passar um tempo fora, mas não tenho também a vontade de morar pra sempre fora, não tenho, eu me vejo muito morando em Quixadá mesmo assim, mas aí dentro dos próximos anos, eu não sei bem, 2, 3 anos, eu acho que eu devo me afastar pra fazer um pós-doc, ainda não sei aonde, não sei com quem, mas eu já tô vendo isso, né, eu tô participando de um grupo de pesquisa com a Clarice, né, a gente tem uma reunião toda semana na terça-feira, inclusive a gente tem hoje, e aí eu tô aí sondando ainda, eu vou ter que fazer, vou ter que desenvolver um projeto de pesquisa, não sei ainda, né, pra fazer o pós-doc. E nesse meio tempo, eu tenho me envolvido mais recentemente com projetos de pesquisa em empresas, né, e tá sendo muito legal, porque é uma coisa nova pra mim, né, já tenho uns anos, mas é uma coisa nova porque mistura um pouco o mercado, né, aquela coisa do professor ir pro mercado, com academia, né, então eu acho isso incrível e realmente é muito rico, porque eu consigo, tudo que acontece nos projetos, né, lógico, obedecendo ali a confidencialidade que precisa ter, eu consigo trazer pra sala de aula, de exemplos reais e tudo, e as coisas que eu ensino pros alunos eu consigo, eu, praticar, né, nos projetos reais, né, então é muito rico. Então de futuro eu diria isso, eu quero muito que a nossa pós aqui se fortaleça, né, é muito recente ainda, mas tem tudo pra ser um programa de excelência e de referência. Com certeza, é um campo só de TI também, né, então faz sentido que cresça dentro dessa área. Exatamente, então, a área de HC que eu gosto muito, né, eu tento me envolver aí com o evento, a organização do evento, participo da comissão especial da SBC, tô sempre nos grupos aí relacionados a isso, é isso assim, acho que de plano futuro em relação a profissional eu diria que a médio e longo prazo tá essa coisa do pós-doc, né, e eu fico muito, assim, ansiosa pra ver a nossa pós crescer, sabe, tanto o nosso programa de computação crescer como futuramente aparecer em outros, né, outros cursos de mestrado que a gente deve abrir aí no futuro. Mas é engraçado, né, acho que é quase uma ordem cronológica que quase todo professor segue, faz mestrado, faz doutorado, vem pra docência e se afasta um período pra fazer algum curso de especialização fora, né, o professor Cristiano também saiu agora no final do ano, não foi? Ano passado. Isso, ele tá lá fazendo pós-doc, a gente tem poucos professores, assim, acho que só, acho que o Cristiano foi o segundo, o professor Cristiano também tá afastado fazendo pós-doc, acho que foram só uns três só, porque a gente é um corpo docente novo, né, vamos dizer assim, então a gente ainda tem professores terminando doutorado, né, que também, eu fui um aqui, entrei sem doutorado, então muitos professores aqui entraram sem ter doutorado e aí foram correr atrás de doutorado, né, mas isso deve acontecer, né, até porque a gente parece que é uma coisa, tipo, ah, mas o professor vai tirar um ano de férias, não é, a gente vai trabalhar, o pós-doc, ele é uma especialização pra quem tem doutorado, então você vai, dependendo de onde, pra onde você vai, você pode até dar aulas, né, e aquilo ali fortalece o corpo docente da universidade, né, inclusive foi um dos pontos que pegou na nossa avaliação do pós-comp, porque a gente não tinha nenhum professor com pós-doc. A internacionalização do pós-comp, né? Exatamente. A gente falou com o André justamente sobre isso. É, foi uma coisa que pegou bastante, a gente tá agora tentando procurar parcerias, né, em instituições de fora e estimular aí essa coisa do pós-doc, né, os professores poderem fazer o seu curso. A nota 3, né, o pós-comp daqui? É, a nota 3, o P-Comp. É que eu sempre confundo pós-comp com P-Comp. É, o que o pessoal costuma dizer é que, assim, é muito difícil tirar um 4 de primeira, né? Muitos cursos começam realmente com 3, mas assim, a gente quer muito que na próxima avaliação a gente já suba. Pro 5, né? Não, pro 4. Não, o 4 já tá muito bom, assim, né? O 4 já é um nível bom, né? Não, 5 e 6 vai demorar muito, acho que a gente, acho que é só se tiver doutorado, eu acho, pra ter 6, 7, acho que... Os mestrados são mais exigentes também, né? É, e aí tem um passo a passo pra você seguir, né, até conseguir uma nota dessa, né? Então, imaginar que o FPE, o FMG demoram muitos, tipo décadas pra conseguir, né? Caramba. Então, é uma coisa de muito longo prazo, né? Um programa recente, né? Vamos ver o que vai acontecer daqui a uns 3, 4, 5 anos. Então, basicamente é isso, muito obrigado pela tua presença, Ingrid, e esperamos nos ver de novo em outros episódios, tratamos de outros temas mais específicos da próxima vez. Eu que agradeço o convite, foi ótimo, espero de alguma forma poder contribuir aí com quem tá me ouvindo, e se precisarem tirar alguma dúvida, falar sobre essas coisas que eu pesquiso e tudo, eu tô à disposição. Obrigada. Obrigado.
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